1.8.14

[Resenha] Quem é Você, Alasca? :: John Green

Quem é Você, Alasca? 
Autor: John Green
Editora: WMF Martins Fontes
Páginas: 229
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Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras que, cansado da vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o ''Grande Talvez''. Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para o seu labirinto e o catapultará em direção ao ''Grande Talvez''.


Quem é Você, Alasca? É o primeiro romance escrito pelo John Green, autor da aclamada obra A Culpa é das Estrelas, e também é o primeiro livro que eu leio do escritor e com toda certeza pretendo conferir seus outros livros.

O livro é narrado em primeira pessoa pelo Miles Halter, um adolescente que saí da sua antiga escola para ir ao internato, Culver Creek, no qual o pai também estudou. No seu antigo colégio Miles era, digamos... um ninguém e nem amigos tinha, então não havia nada que o prendesse ali. Decidido a dar uma reviravolta na sua vida ele vai em busca do ''Grande Talvez'', e não havia decisão melhor do que essa. Lá ele divide o quarto com um garoto apelidado de Coronel e acabam se tornando amigos, e ele acaba conhecendo os amigos de Coronel, Takumi e a bela Alasca. Como Miles é magro eles resolvem apelidá-lo de Gordo, todos são amigos e unidos, defendem um ao outro e adoram pregar trotes (o apelido '‘Coronel’’ se deve as ideias e ao comando na hora de planejar os trotes).

Gordo coleciona últimas palavras, já leu várias biografias e o que acha mais interessante saber sobre os ícones são suas últimas palavras, ele diz que elas dizem muito sobre a pessoa.
''Então, esse cara'', eu disse, parado à porta da sala ''François Rabelais. Era poeta. Suas últimas palavras foram: 'Saio em busca de um Grande Talvez.' É por isso que eu estou indo embora. Para não ter de esperar a morte para procurar o Grande Talvez.''
Eu sei que o narrador é o Gordo, mas acho que quem acaba também sendo a protagonista é a Alasca Young, afinal, tudo o que acontece no livro gira em torno dela e ou tem uma ligação com ela, então vamos a uma descrição dela: Alasca é uma garota cheia de curvas, maluquinha, determinada, altiva e que não se deixa intimidar e mesmo sendo descontraída ela é reservada sobre si mesma e sobre sua família. Ela carrega um peso gigantesco nos ombros, culpa por algo horrível que aconteceu quando ela era mais nova e que só descobrimos mais ou menos na metade do livro, algo que nem o narrador imaginava. Tudo o que Miles mais quer é decifrar essa garota que o fascina, afinal, Quem é você, Alasca?
'' (...) Não queria transar, como nos filmes. Nem mesmo fazer amor. Só queria dormir com ela, no sentido mais inocente da palavra. Mas eu não tinha coragem. Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu era a garoa e ela, um furacão.''
O livro começa com uma contagem ‘‘tantos dias antes’’ e logo fiquei curiosa, o que será que iria acontecer daqui a X dias? E o que acontece é algo que me deixou de queixo caído e foi impossível não derramar algumas lágrimas, enfim, o ocorrido muda completamente o rumo que imaginávamos para a história, assim como muda o clima/humor do livro, é algo muito surpreendente.
''Não aconteceu nada. Mas o sofrimento está sempre presente, Gordo. Dever de casa, malária, o namorado que mora longe quando você tem um garoto bonito deitado ao seu lado. O sofrimento é universal. É a única coisa que preocupa tanto os budistas quanto os cristãos e os muçulmanos.''
Fiquei em dúvida se Alasca era de fato tão fascinante quanto parece ser, e o fato de o livro ser narrado pelo Gordo nos faz comprar a sua opinião, mas eu acho que no fundo Alasca era uma garota atordoada, que mesmo sendo muito bacana e descolada estava, acima de tudo, tentando se encontrar e pôr em ordem tudo o que sentia.
''Não!'', exclamou. E, de início, eu não sabia dizer se ela estava lendo meus pensamentos, adivinhando minha vontade de beijá-la, ou se estava respondendo a si mesma em voz alta. Afastou-se de mim e disse suavemente, talvez para si mesma, ''Cruzes! Não posso ser uma dessas pessoas que ficam sentadas falando que pretendem fazer isso e aquilo. Eu vou fazer e pronto. Imaginar o futuro é uma espécie de nostalgia.''
Todos os personagens são brilhantes e muito provavelmente terão um futuro muito promissor. O livro é engraçado, um pouco irônico, ele expressa o que é ser um adolescente, todas as dúvidas e aflições que os jovens têm ao passar por essa fase decisiva e de amadurecimento, expõem as coisas boas e as não tão boas. No livro os personagens são super estudiosos e sabem que se querem um futuro do jeito deles, no qual os seus sonhos e metas se realizarão, eles têm que se dedicar, mas como todo jovem, eles gostam de se divertir e fazem coisas não recomendadas e até proibidas como fumar e ingerir bebidas alcoólicas, e essa parte é tratada de forma banal. Os personagens, as palavras, as emoções, tudo parece tão real e é por isso que fiquei cativada e emocionada com essa história tão bem escrita.
''Às vezes, perdemos a batalha. Mas a farra sempre ganha a guerra.''
O livro tem várias metáforas e quotes interessantes que nos fazem refletir sobre o que é a vida e o que acontece após a morte. O livro (seu peso) é bem leve, a primeira coisa que estranhei foi o uso de aspas ao invés do travessão para demarcar os diálogos, mas isso não atrapalhou a leitura. É um livro de certa forma simples, bem escrito e instigante e recomendo à todos os adolescente e até aos adultos já que é uma lição de vida.
''Todos nós vamos, pensei, e isso se plica a tudo, desde as rolhas do céu até as rolhas de garrafa, desde Alasca-garota até o Alasca-lugar, pois nada perdura, nem mesmo a própria terra. Buda diz que o sofrimento é causado pelo desejo e que a suspensão do desejo implica a suspensão do sofrimento. Se pararmos de desejar que as coisas perdurem, não iremos sofrer quando elas desmoronarem.''

''Passamos a vida inteira nesse labirinto, perdidos, pensando em como conseguiremos escapar e em quanto será legal. Imaginar esse futuro é o que nos impulsiona para a frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente.''





1 comentários:

  1. Já vi tantas resenhas sobres este livro que me deu bastante vontade de comprá-lo. Vejo que tem um enredo interessante este romance que me atraiu bastante. Está na lista faz algum tempo, mas ainda não tive a oportunidade de levá-lo. Sua resenha está incrível reforçando esta vontade.
    Sucesso!


    sessentaenovecontossecretos.blogspot.com

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