24.7.15

[Resenha] Beleza perdida :: Amy Harmon

Beleza perdida
Autora: Amy Harmon
Editora: Galera Record
Páginas: 336
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Ambrose Young é lindo — alto e musculoso, com cabelos que chegam aos ombros e olhos penetrantes. O tipo de beleza que poderia figurar na capa de um romance, e Fern Taylor saberia, pois devora esse tipo de livro desde os treze anos. Mas, por ele ser tão bonito, Fern nunca imaginou que poderia ter Ambrose… até tudo na vida dele mudar.
Beleza perdida é a história de uma cidadezinha onde cinco jovens vão para a guerra e apenas um retorna. É uma história sobre perdas — perda coletiva, perda individual, perda da beleza, perda de vidas, perda de identidade, mas também ganhos incalculáveis. É um conto sobre o amor inabalável de uma garota por um guerreiro ferido.
Este é um livro profundo e emocionante sobre a amizade que supera a tristeza, sobre o heroísmo que desafia as definições comuns, além de uma releitura moderna de A Bela e a Fera, que nos faz descobrir que há tanto beleza quanto ferocidade em todos nós.
Fern sabe que não é linda - usando óculos fundo de garrafa, aparelho nos dentes e um corte de cabelo horrível que lhe deixa com um enorme e ruivo blackpower -, ela não nutre nenhuma ilusão quanto à isso, porém ela não tenta esconder de ninguém o quanto ela ama Ambrose Young, afinal todas o amam - como não amá-lo com aqueles cabelos longos, braços fortes, voz profunda e todo o pacote completo que o faz melhor do que alguns modelos das mais caras revistas de moda? -, então ela também pode amar. E ela já o ama a muitos, muitos anos, talvez mais do que qualquer outra e pelo motivo mais original, que ia muito além de sua aparência, porém Fern era invisível aos olhos dele - e quem a via? -, então mesmo que ele protagonizasse todos seus sonhos e fantasias ela não se iludia sobre um provável futuro ao seu lado...
Não é amor
O amor que muda quando encontra mudança.
Ou se move e remove em desamor.
Oh, não; o amor é marca eterna,
Que enfrenta tempestades e não se abala.
Até que Rita - sua linda e angelical melhor amiga - lhe oferece uma chance de falar com Ambrose. Rita quer que Fern a ajude a escrever cartas para Ambrose e o convença a sair com ela, afinal das duas a que melhor escreve é Fern, é ela que escreve romances a anos e almeja ser escritora profissional um dia e assim a correspondência tem início e Fern literalmente se coloca na maior enrascada, Ambrose além de lindo é inteligente e ela está completamente caidinha por ele, que pensa que a garota que escreve as cartas - Fern - é a que ele vê e deseja - Rita. E quando tudo é descoberto por ele, Fern decide que é hora de abrir o jogo e lhe dizer que não importa se ele está bravo ou não, tudo escrito foi real, ela realmente gosta, muito dele.

Porém Ambrose não sabe muito bem o que sentir, ele pensou que gostava de uma mas na verdade era outra e até então... Bem, Fern nunca foi o tipo que ele se focou, ela era apenas a menina baixinha que estava sempre com Bailey o ajudando e ajudando o técnico, ela era apenas a filha do reitor da cidade, era a ruiva da escola, ela era tudo, menos uma opção.

Assim quando ele decidiu se alistar no exército - depois do atentado de 11 de setembro -, e convenceu seus quatro melhores amigos a irem juntos ele estava certo de que nada ali o prenderia, de que nada que estava sendo deixado para trás - sua cidade, seu pai, a oportunidade de lutar pela universidade - o assombraria quando estivesse no Iraque, em campo, então por que nos momentos mais improváveis ele se pega pensando em Fern e no que houve antes de partir? Falta pouco para voltar para casa e agora... Agora ele sabe que assim que pisar em casa ele irá atrás dela. Pena ele estar tão errado sobre isso, afinal ele volta para casa em uma maca, com a morte sobre os ombros, as marcas da guerra no corpo e uma certeza deprimente de que tudo é culpa dele e de que agora ninguém sequer será capaz de olhar-lhe nos olhos sem tremer.
-Mas vou lhe contar uma coisa. Os sortudos são aqueles que não voltam. Está me ouvindo?

Narrado de forma tocante, abrangente, maravilhosa e com flash backs que explicam totalmente ações e sentimentos, o livro segue a história de Fern, Rita, Beiley e Ambrose desde 1994 até 2006, nos dando uma baita lição de vida e um olhar sobre o que foi o 11 de setembro para a nação americana. Sabe, eu não me lembro totalmente do incidente, me lembro que na época eu tinha pouco mais de cinco anos e lembro que meus avós ligaram a TV - o que era bem raro - e ouve muitos "Ooooohs" e "Aaaahs", mas não foi algo que abalou estruturas ou causou medo, foi só um assombro, bem diferente do que os americanos sentiram, foi algo interessante de se ler.
- Esse Cyrano... Não era ele que escrevia cartas de amor no lugar do cara bonito? Não virou filme?
- Esse mesmo. Isso te lembra alguém? Parece que eu me lembro de alguém escrevendo cartas de amor para você e assinando como Rita. Assim como o Cyrano. É uma irônia, não é? A Fern não achava que era boa o suficiente pra você naquela época, e você não acha que é bom o suficiente pra ela agora. E os dois estão errados... e é tão idiota! Idioootaaa! - Bailey arrastou a palavra com desgosto. - Eu sou feia! Eu não mereço amor, buááá! - Bailey os imitou com uma voz chorosa, estridente, depois sacudiu a cabeça como se estivesse completamente decepcionado.
E há toda essa questão de ser feio ou não tão lindo assim, claro que beleza importa, não sou cínica de dizer que não, mas para mim isso não é tudo e o livro trata muito disso, de uma forma bem marcante e recheada de questões ideológicas, e eu adorei isso, amei a intensidade e diversidade como você pode ser afetado pela beleza ou falta dela numa relação e de como eles mostraram que ela é bem mais que isso, que é bem mais que aparência.

E há o Bailey...Como não amar um personagem como ele? Que sabe que a morte se aproxima e que é inevitável e ainda sim luta contra ela com todas as suas forças e bate de frente com sua alegria, não se deixa abalar e ainda por cima levanta a bola dos outros. Esse é um livro sobre perda, sobre ganho, sobre perdão, sobre superação, sobre amor, sobre família e sobre a vida. Não foi o que eu esperava, mas completamente me tocou.
Escrevi seu nome no meu coração
Para não esquecer
Como me senti quando você nasceu
Antes de a gente se conhecer.

Escrevi seu nome no meu coração
Para sua batida soar com a minha
E, quando mais sinto a sua falta,
Percorro cada volta e casa linha.



 

1 comentários:

  1. Oi Agatha!

    Realmente esta temática é muito diferente. Como descreveu, parece um livro cheio de pensamentos e reflexões profundas. Quando o atentado aconteceu eu estava no Ensino Médio então me lembro perfeitamente da repercussão, mas nada deve se comparar ao que os próprios americanos sentiram naquele dia.
    Ótima resenha ^^

    Bjoss
    http://kelenvasconcelos.blogspot.com.br/

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