28.8.15

[Resenha] A menina que tinha dons :: M.R. Carey

A menina que tinha dons
Autora: M. R. Carey
Editora: Fábrica231
Páginas: 384
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Cultuado autor de quadrinhos e roteiros da Marvel e da DC Comics, entre eles algumas das mais elogiadas histórias de X-Men e O Quarteto Fantástico, o britânico M. R. Carey apresenta uma trama original e emocionante em sua estreia como romancista com A menina que tinha dons, lançamento do selo Fábrica231. Aclamado pela crítica, o livro se tornou um bestseller imediato na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos ao contar a história de Melanie, uma menina superdotada que faz parte de um grupo de crianças portadoras de um vírus que se espalhou pela Terra e que são a única esperança de reverter os efeitos dessa terrível praga sobre a humanidade. Uma comovente história sobre amor, perda e companheirismo encenada num futuro distópico.
Melanie não sabe muito bem o que se passa ao seu redor, claro, ela é muito inteligente, por isso sabe de cor o nome de todos e a planta de tudo o que seus olhos conseguem captar do lugar onde estão, sabe também sobre o porquê eles estão naquele lugar sempre trancados - o mundo foi tomado por um vírus e muitas pessoas morreram e agora existem os Famintos que te caçam até enfim terem te comido -, mas ela não sabe muito bem por que nenhuma criança jamais é solta, por que ninguém os toca, por que todos ali são tão rígidos e os tratam como se eles fossem perigosos, mas o mais importante, ela não sabe para onde vão as crianças que somem pela porta de aço do outro lado do corredor, eles nunca voltam, e como ela quer mais que tudo no mundo poder continuar vendo a Srta. Justineau ela não pergunta nada, não questiona nada, pois não quer ser a próxima a ir embora.

Mas quando a levam para fora sem nem mesmo que ela possa ter a oportunidade de dizer adeus a Srta. Justineau, Melanie percebe que não está pronta para sumir, que ela não quer sumir, mas que agora suas chances de fuga e de vida são bem poucas e então como se os deuses a ouvissem a base é invadida por Famintos e tudo vem abaixo, não só dando a oportunidade de Melanie fugir como também de ver a Srta. Justineau tentando salvá-la e isso acende algo dentro dela, algo mais forte do que a sensação quase obrigatória de colocar sua mandíbula para trabalhar e sair correndo atrás desse delicioso cheiro que invade suas narinas e torce seu estômago.

Ela se controla o suficiente para saber que agora eles estão por conta própria no mundo e que eles não tem muitas chances de chegarem a Beacon com vida, mas que ter esperanças é tudo que resta, mesmo para o grupo mais disfuncional e improvável fugindo num apocalipse zumbi.



Narrado em terceira pessoa sob vários pontos de vistas pertinentes ao desenrolar da trama central, o livro passa rapidinho e te prende de uma maneira surpreendente como a maioria dos bem feitos filmes de zumbis.

Devo dizer que eu não fazia ideia de que este era um livro que se tratava de um apocalipse e muito menos de um apocalipse zumbi, eu tinha muitas teorias em mente, incluindo algumas envolvendo ficção científica, mas o que eu encontrei foi um mundo cruel tentando se reestruturar após a perda de mais de metade da população humana para um vírus fatal e sem cura aparente.

Porém um dia, uma excursão militar determinada a fazer uma limpa na área infestada de zumbis, encontra algo profundamente estranho. Normalmente os zumbis não tem consciência, eles só tem dois estados, parados alheios ao mundo ou correndo desenfreados despertados pela fome que os toma toda vez que sentem cheiro humano, mas aquelas crianças... crianças que parecem tão normais e que correm entre zumbis que não as notam, bem elas são diferentes, pois elas só parecem normais. E é nesse parecer que é depositado toda a esperança de uma possível cura. 

O livro foi escrito por um famoso roteirista de X-Men e isso me deixou bem animada, assim como deixou claro seu conhecimento com intercalações entre ação, drama, nostalgia e leves pitadas de amor aqui e ali.

No momento é meu livro sobre zumbis favorito e uma das melhores ficções científicas dessa área que eu já vi, a maneira como foi estruturada a estória, a densidade da trama e dos personagens, a dura crueldade da situação, a lógica fria por trás da sobrevivência, a própria contaminação e solução foram surpreendentes e bem vindas para mim.

Nunca antes experimentei tão intenso contato com os sentimentos de pessoas que estão em uma situação em que sabem que vão morrer e preferem isso a serem controlados por um instinto mais forte que eles e que inclusive os farão machucar aqueles que um dia já gostaram.

Com personagens encantadores, doses de história e um pezinho na Grécia M. R. Carey fez um ótimo trabalho nesse romance pós apocalíptico zumbi.

5 comentários:

  1. Oi, Agatha!
    Esse livro também se tornou um dos meus favoritos sobre zumbis. Amei como o autor desenvolveu a história, principalmente a originalidade do que tornou as pessoas zumbis. Saber que algo assim realmente existe na natureza é assustador e maravilhoso ao mesmo tempo.
    Gostei bastante de sua resenha, me fez relembrar porque amei tanto o livro!!
    Bjs

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  2. Oie,
    Agatha, fiquei bem curiosa sobre esse livro após ler a sua ótima resenha. Não sou muito chegada em zumbis e sempre que possível fujo de tudo que os envolva, rs, mas você conseguiu despertar a minha vontade de ler a obra A Menina que tinha Dons, foi direto para minha wishlist! Espero gostar, assim como você.
    Beijos

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  3. Não conhecia o livro, como também só olhando pela capa e lendo o nome não imaginava que fosse sobre zumbis. Parece que tem algo de misterioso ai, que me deixou querendo saber mais sobre essas crianças. Gostei muito da resenha, beijos.
    http://recolhendopalavras.blogspot.com/

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  4. Oi Agatha!
    Assim que a Fabrica disse que lançaria esse livro, eu fiquei super curiosa para lê-lo. Assim como você, não fazia ideia de que seria a respeito de apocalipse zumbi. Mas á gostei, porque apocalipse zumbi é meu segundo "gênero" favorito. Gostei da sua resenha! Esperarei o mês virar para poder me divertir o/

    beijos, Iza
    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br/

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