24.2.17

[Resenha] A Arma Escarlate :: Renata Ventura

A Arma Escarlate #1
Autora: Renata Ventura
Editora: Novo Século
Páginas: 488
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O ano é 1997. Em meio a um intenso tiroteio, durante uma das épocas mais sangrentas da favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, um menino de 13 anos descobre que é bruxo. Jurado de morte pelos chefes do tráfico, Hugo foge com apenas um objetivo em mente: aprender magia o suficiente para voltar e enfrentar o bandido que ameaça sua família. Neste processo de aprendizado, no entanto, ele pode acabar por descobrir o quanto de bandido há dentro dele mesmo.




Atire a primeira pedra quem nunca ouviu falar de Harry Potter. Um nome muito conhecido ao redor do mundo, a história mais vendida, perdendo apenas para a Bíblia. Harry Potter conquistou milhões de fãs e revolucionou o meio literário. Em meio a uma entrevista na qual J. K. Rowling, autora da saga, declarou a um fã que adoraria ver alguém escrevendo sobre o mundo bruxo, utilizando um outro país e uma outra escola, a chama da ideia inundou o incrível cérebro de Renata Ventura, autora brasileira que explora o lado mais feroz do ser humano, escrevendo sobre... bruxos no Brasil!

Considerado por muitos uma fanfic de Harry Potter (o que, para mim, está fora de cogitação já que o universo, apesar de interligado ao do bruxinho, é único e a história é sólida), A Arma Escarlate conta a história de Hugo, um garoto de 13 anos que mora no morro Santa Marta, no Rio de Janeiro. Hugo é levado á bandidagem, cheio dos “querer”, um verdadeiro antagonista ocupando o corpo de um protagonista.

Hugo é constantemente ameaçado pelos bandidos na favela, e em meio a uma operação dos bandidos, ele acaba traindo Caiçara, o vilão original da história. Caiçara é o maior traficante do Santa Marta; ao descobrir que o garoto o passara a perna, ameaça-o de morte. Querendo se livrar daquela situação e implorando por um milagre, Hugo descobre ser um bruxo em meio a um tiroteio violento no morro, então parte em busca do seu verdadeiro ser.

A princípio ele não acredita muito naquela conversa de “bruxaria”, não. Tendo uma mãe evangélica como a sua, aquilo o intrigava ainda mais. Mas logo é admitido, meio ao acaso, à Nossa Senhora do Korkovado, a escola de magia e bruxaria do Rio, localizado dentro do Corcovado. Nesse ambiente desconhecido Hugo faz amizades, conhece tudo sobre feitiços, e descobre quem realmente é. Magia acaba significando tudo para ele, pois só assim pode voltar ao morro e matar Caiçara, que além de ameaça-lo agora tem a vida da família de Hugo nas mãos.


Precisamos falar sobre A Arma Escarlate. O enredo, além de conter semelhanças ao de Harry Potter por retratar a vida estudantil de bruxos, é sensacional, instigante. A narrativa é leve e segura o leitor, de modo que queremos ler até terminar! Os personagens são cativantes, muito reais, e o cenário sendo o Rio de Janeiro ajuda muito na criação de todos eles, somando a isso o ambiente, é claro.

Bom, nem todos os personagens são cativantes. A Arma Escarlate é muito diferente de HP, afinal. Aqui temos um romance longo, contendo a cada virar de página um novo tiro no coração. É um suspense vívido, atrativo, mas às vezes opressivo. Hugo não é um cara amável, tampouco é possível torcer por ele ao longo da trama. Ele é totalmente oposto ao Harry, o que deixa ainda mais mistério no ar.

Com o andar da história vamos descobrindo mais sobre o passado do Hugo, e sobre o futuro dele, também. Ele não costuma tomar decisões legais. É frustrante, dá raiva, mas isso alimenta a bola de neve que despenca no clímax.

Acho importante ressaltar que algo me desagradou na segunda parte do livro. Não posso dizer o que é senão estrago sua leitura, mas isso me deixou um pouco incomodado. Acho que para ler o livro a pessoa deve ter um pouquinho de maturidade, ao menos. Não creio que isso possa influenciar alguém, mas o modo como a coisa é tratada aqui é estranho, como se não fosse tão importante, mas é. Isso, no entanto, inundou ainda mais a trama de suspense, o que foi interessante. Os professores, ao analisar a leitura, podem trabalhar com seus alunos o tema e instigá-los a ler o livro.

Misturando referências religiosas, também ressaltando a presença de orixás na vida das pessoas, encaixando referências brasileiras, explorando nosso cenário, nossos sotaques, nossos modos de vestir e até nossa comida típica, Renata trouxe ao Brasil um livro que revolucionaria nossa literatura. Se você discorda e acha que literatura brasileira é tudo igual, chata, sem graça... garanto que mudará de ideia com AAE.

E se você é fã de Harry Potter, não sei o que ainda está fazendo lendo isso aqui ao invés de estar lendo o livro.

A Arma Escarlate é o primeiro livro de uma série com 5, segunda a autora. O segundo, A Comissão Chapeleira, já foi publicado e possui como tema principal (além de bruxaria) a repressão. Ocupando meu top 3 de livros nacionais, este é, com certeza, um livro excelente que me fez mudar meu jeito de olhar para o meu próprio país.  

                                                                                                      por Saullo Brenner

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