12.5.15

[Resenha] Uma história de amor e TOC :: Corey Ann Haydu

Uma história e amor e TOC
Autora: Corey Ann Haydu
Editora: Galera Record
Páginas: 320
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Bea foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo. De uns tempos pra cá, desenvolveu algumas manias que podem se tornar bem graves quando se trata de... garotos! Ela jura que está melhorando, que está tudo sob controle. Até começar a se apaixonar por Beck, um menino que também tem TOC. Enquanto ele lava as mãos oito vezes depois de beijá-la, ela persegue outro cara nos intervalos dos encontros. Mas eles sabem que são a única esperança um do outro. Afinal, se existem tantos casais complicados por aí, por que as coisas não dariam certo para um casal obsessivo-compulsivo? No fundo, esta é só mais uma história de amor... e TOC.
A Dra. Pat diz que a mente humana é um lugar complicado. Que nos apegamos a coisas, imagens, palavras, ideias, histórias que sequer sabíamos que estávamos guardando.
Bea não entende muito bem por que ela precisa ir a terapia, não é como se ela fosse uma lunática ou tivesse algo grave e perigoso, ela só é extremamente cuidadosa ao dirigir e gosta de anotar coisas sobre pessoas que a interessam, não é estranho. Não muito pelo menos. 

Porém quando a Dra. Pat sugere que ela faça a terapia em grupo, Bea sente que tudo começa a se descontrolar e as coisas não melhoram quando ela chega a primeira sessão e vê seus colegas. Ela perto deles é ironicamente normal. Ela perto deles parece um caso leve de ansiedade. Mas talvez a maior surpresa seja o fato de o rapaz forte de mãos inquietas ser o mesmo cara que fim de semana passado ela beijou no black out. Beck. O universo só pode estar brincando com ela, por que quais são as chances de ela participar da mesma terapia que o garoto que ela ficou a fim? Muitas, afinal foi o ataque de pânico dele que a atraiu e não há muitos terapeutas juvenis na região. Estatística.

Beck tem TOC, ele precisa manter tudo limpo, um toque, várias lavagens, ela pode notar a carne esfoliada de suas mãos, machucados causados por inúmeras lavagens seguidas, e ele se sente compelido a ir a academia, mas quem é ela para julgá-lo? Afinal ela segue um certo cara sempre que pode, ela precisa seguí-lo, precisa saber que ele está bem. Do mesmo jeito que precisa verificar a estrada, ter certeza que não machucou ninguém. Ter certeza de que ela não é um risco.

E entre sessões e encontros algo quente e tranquilizador nasce entre Bea e Beck, ela não se incomoda dele ter que se limpar depois de beijá-la - ou talvez se incomode mas entende o apelo -, e Beck não a julga por dirigir a 32 km por hora ou lhe perguntar se ela atingiu alguém no quarteirão escolar pelo menos três vezes para ter certeza.

Mas será que isso basta? Entender um ao outro basta para o fato de que Bea não parece nem perto de parar de seguir seu astro do rock ou que Beck parece estar fazendo tudo em grupos de oito? 
— Você não é tão esquisita — diz Lisha com um grande e provocante sorriso. Ela sabe que não quero falar sobre isso. 
Sorrio também, porque quando ela brinca comigo é quase como se eu fosse apenas um pouco peculiar, e não um desastre total.
Cooter dá uma risadinha irônica. Shoock-shoock, diz a TV. O cara aparentemente normal está sendo julgado, é claro. Ele está suado. Ele é culpado. As pessoas são tão ferradas. Todos nós, quero dizer. Somos todos tão ferrados.

Narrado em primeira pessoa do ponto de vista de Bea, temos livre acesso aos seus pensamentos e linha de raciocínio, não há segredo, não existem filtros, vemos tudo em primeira mão, sem coberturas, sem rodeios e isso torna a escrita intensa, forte e completamente envolvente, ler esse livro é como cair na toca do coelho, tem que ir até o fim para voltar a realidade.

Bea é o tipo de garota que se destaca na escola, todos parecem saber quem ela é mas ninguém além de Lisha é sua amiga, é Lisha que a acompanha para todos os lugares, é Lisha que conhece todos os seus segredos, é Lisha que a impede de ser estranha demais mas que também a impele a satisfazer suas ansiedades, a ceder aos seus impulsos. Ela sabe o que dizer e quando não falar nada. 

Só que as coisas começam a mudar quando ela conhece Beck e Lisha começa a apoiar demais a Dra. Pat e franzir as sobrancelhas quando ela pede para confirmar se o carro não está amassado.
Terapeutas são complicados. Fazem ligações entre qualquer coisa. 
E convenhamos que Bea não é normal, mas ao ler... Bem, digamos apenas que você se sente compelido a ver lógica em seus medos ou pelo menos entender que para ela eles parecem bem reais e isso - essa imersão completa em um personagem complexado - é muito rara e um tanto quanto reflexiva.

Não conheço muito do TOC, e só recentemente comecei a me aventurar nesse universo de personagens peculiares - que totalmente me fascinam, é um pouco incrível ver o quanto eles são fortes -, no entanto me pego pensando que não há muitos livros sobre pessoas assim, o que é uma pena, na minha opinião.

Para quem quer se aventurar em novos terrenos e conhecer mais profundamente a mente de adolescentes que convivem e enfrentam mais do que as mudanças hormonais de seus corpos esse é um livro mais que recomendado por mim. 

Ele é um tapa na cara de todos aqueles que dizem que esse tipo de diagnóstico é frescura ou que não são casos graves, que com o tempo passa. As pessoas deveriam prestar mais atenção, saber que algo bobo para nós visto com os olhos de alguém com TOC pode sim significar vida ou morte e que precisa ser tratado. 

Esse é um livro sobre o amor, sobre a aceitação não somente do outro, mas de si mesmo e de ajuda. Esse é um livro que nos encanta, nos choca e nos emociona, que nos leva a torcer pelos personagens e mergulharmos em sua preocupações, que nos mostra não só os sintomas e tratamentos como também as causas - que não devem ser ignoradas -, é um livro que me leva a pensar que Corey Ann Haydu fez uma estréia mais que memorável no mundo literário. 
Desculpe tantas mensagens. Depois de mandar duas tive que mandar oito. Para sua sorte, agora terminei.
Se preparem, duas páginas o farão ler mais duas que o farão ler mais e assim por diante. Sorte nossa que o livro tem pouco mais de trezentas páginas. 

2 comentários:

  1. ai que resenha boa <3 eu quero muito lerrrrrrrrrr

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  2. Gente, eu tô MORRENDO de vontade de ler esse livro. Tenho a impressão que vou me identificar horrores com a Becky! Kkkkk Fico feliz que você tenha gostado, animou-me ainda mais para ler.
    Beijos

    http://itsfangirltime.blogspot.com.br

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