23.11.15

[Resenha] O que restou de mim :: Kat Zhang

O que restou de mim - As crônicas híbridas #1
Autora: Kat Zhang
Editora: Galera Record
Páginas: 320
Addie e Eva são híbridas duas almas no mesmo corpo. Em sua realidade, todos nascem assim mas, ainda na infância, uma das almas torna-se dominante. Mas isso nunca acontecia com as duas. Considerados instáveis e perigosos, os híbridos foram perseguidos e eliminados das Américas. E quando o segredo delas é ameaçado, Eva e Addie descobrirão da pior forma que há muito mais sobre os híbridos do que os noticiários de TV e os livros de história contam.
Eles podiam ser uma família normal, com preocupações normais. Eles podiam ser felizes.
Eles.
Eles não percebiam que não eram eles. Ainda éramos nós.
Eu ainda estava ali.
Elas nasceram juntas, não unidas pelo mesmo parto, e sim unidas pelo mesmo corpo, suas almas nasceram entrelaçadas, dividindo um mesmo espaço, coexistindo juntas, dependendo uma da outra, compartilhando o controle sobre um corpo que não era dela ou meu, e sim nosso, pelo menos por um tempo.

Segundo todos uma hora a alma recessiva dentro do corpo iria embora e só restaria a alma dominante, Eva sabia que não era a alma dominante, sabia que deveria ter desaparecido há muito tempo, mas ela simplesmente não conseguiu parar de desejar estar ali, de viver, de controlar sua vida, de estar ao lado de Addie, ela queria demais existir e por isso ela ficou, não mais entrelaçada a alma de sua irmã, nem mesmo dividindo o controle de seu corpo, e morta para todos os outros, se elas queriam continuar ali, se elas queriam tentar serem normais e felizes, Eva precisava fingir ter sumido anos antes. Híbridos não podem existir em sociedade.
Eu queria desaparecer, escorregar para aquele nada que havia encontrado no inverno de nosso 13º ano, onde não existia nada afiado, nada que machucasse, apenas uma corrente de sonhos que me girou até que eu fizesse parte deles.
Mas eu não podia. Agora eu tinha muito a perder.
Contudo não é fácil existir sem poder de fato existir, o som que seu nome produz nunca mais foi ouvido, ela nunca mais pode escolher o caminho pelo qual poderia ir, nem mesmo consegue mais envolver seus braços ao redor de outra pessoa, ou chorar suas lágrimas ou dizer suas palavras, a única pessoa que sabe de sua existência é Addie, porém quando surge uma fagulha de esperança, uma possibilidade de Eva poder emergir novamente, elas não vão hesitar em tentar. Mesmo que isso seja um tremendo risco.



O livro é narrado em primeira pessoa do ponto de vista de Eva e só posso dizer que isso contribuiu muito para que eu amasse tanto esse livro, pois a narrativa segue uma protagonista que na verdade não é a protagonista, ela está ali, é seu corpo fazendo suas ações mas não é ela que comanda ele.

Ao começar a leitura não pude deixar de comparar com o livro A Hospedeira e isso não foi de nem de longe algo ruim, primeiro porque eu amo A Hospedeira e segundo porque a trama é extremamente original, duas almas dentro de um mesmo corpo? Quando nós, seres humanos, somos tão individualistas? Foram coisas que ficaram martelando em minha mente ao começar a entender a extensão dessa divisão.

O livro segue dinâmico e te prende logo nas primeiras páginas, Eva é uma personagem cativante e ganhou meu coração, pois mesmo estando presa dentro de seu próprio corpo ela nunca quis não estar ali, a maneira como ela lida com as coisas, principalmente com Addie, me encantou e muito.


Foi mágico vê-la se descobrindo novamente e intenso sentir toda essa questão de identidade, pois pensem, quem somo está indefinidamente ligado ao nosso corpo, por mais que digam, o ser humano associa 100% sua personalidade com seu corpo, assim, como diferenciar quem você é se seu corpo não é só seu? Como controlar isso? Como dividir algo tão essencial para sua existência quando você não tem nem mesmo como fugir dali?

Este é um livro que nos faz pensar muitas coisas, nos faz refletir sobre muitas coisas e nos faz questionar até onde somos definidos por aquilo que somos ou por aquilo que fazemos, assim como A Hospedeira, há momentos em que eu senti minha garganta apertada por elas, e meu rosto se repuxando com algumas atitudes preconceituosas por parte de algumas pessoas nesse livro e meu cérebro queimando ao tentar imaginar o que virá agora, o que eles farão e como elas coexistirão dentro de si, juntas.

4 comentários:

  1. Oi Agatha, tudo bom?
    Olha tenho esse livro a um tempo e acho a premissa dele fantastica, só preciso me ligar a ele. Tentei ler e não rolou mas vou deixar eu estar no clima. E ele realmente entra nessa questão de identidade individual? Ok, vou dar mais uma chance.

    Beijos


    Tem sorteio do livro Perdido em Marte rolando no blog, participem:
    http://penelopeetelemaco.blogspot.com.br/

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    1. Oie Telemaco!
      Entra sim, eu me surpreendi bastante pelo mesmo motivo que você, eu não estava esperando ler ele agora, mas a leitura foi, só precisei passar pelas primeiras páginas, espero que goste, sinceramente e depois volte aqui e me conte o que achou!
      Bjokas

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  2. Oi, Agatha!
    Eu só via esse livro, mas nunca parei pra saber a premissa. Adorei.
    Parabéns pela resenha!
    Também curto A Hospedeira, apesar do livro sofrer bullying por conta da autora.
    Beijos
    Balaio de Babados|Participe da promoção Natal do Babado

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    1. Oie Luiza!!!!
      Que bom que você parou para analisar a premissa, o livro realmente encanta se você gosta de A Hospedeira!!!
      Bjinhos e sim menina, um livro tão legal e tão cheiro de preceitos por causa da autora....

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