11.4.16

[Resenha] O Sol É Para Todos :: Harper Lee


O Sol É Para Todos
Autora: Harper Lee
Editora: José Olympio
Páginas: 364
Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça. O sol é para todos, com seu texto “forte, melodramático, sutil, cômico” (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações.
Jean Louise Finch, mais conhecida como Scout, é quem conta para o leitor sua história de vida; uma das mais lindas e emocionantes que eu já li e que com certeza vai mexer com alguns conceitos que você, leitor, tem aí guardados dentro de você e provocar sentimentos de raiva, dó, perda e amor muito maiores do que você esperava. 

O Sol É Para Todos conta a história de Scout, uma menininha de 6 anos, e de como foi crescer no Alabama em 1930. Ela morava com o pai, Atticus, a governanta/cozinheira/babá, Calpúrnia, e o irmão mais velho, Jem. As duas crianças passavam os dias brincando na rua e, durante os verões, contavam com a presença de Dill, sobrinho de uma senhora que morava na mesma rua que Scout. 

A grande diversão dos três era tentar desvendar os mistérios que rondavam a última casa da rua. Eles passavam as tardes tentando fazer com que Boo Radley, o filho do Sr. Radley, saísse de casa para descobrir se ele era mesmo louco e tinha sede de sangue. De acordo com os rumores da cidade, Boo nunca foi visto e não saia de casa porque o pai o prendia no porão para que ele não tivesse contato com ninguém.

A primeira metade do livro é dedicada para ambientar o leitor sobre o que é crescer no Alabama preconceituoso da década de 30 e como as impressões importavam mais do que o que as pessoas realmente eram.

O livro tem um dos primeiros picos na segunda metade, quando Atticus, o pai de Jem e Scout, é nomeado como o advogado de Tom Robinson, um negro que foi acusado - injustamente - de ter estuprado uma menina branca. É quando Atticus aceita defender Tom Robinson que tanto ele quanto seus filhos passam a sofrer ameaças e exclusões sociais por estarem defendendo um negro.


"Antes de poder viver com os outros, eu tenho de viver comigo mesmo. A consciência de um indivíduo não deve subordinar-se à leia da maioria."

É de quebrar o coração e emocionante ao mesmo tempo ver Jem e Scout crescendo e suas visões de mundo mudando ao passo que eles não conseguem entender o motivo de julgar uma pessoa apenas por sua cor. 


"Só existe um tipo de gente: gente."

O livro trata o tempo inteiro de como uma sociedade que vive de aparências e racismo sofre uma quebra social com o personagem de Atticus, que tem pensamentos diferentes e passa suas filosofias de igualdade para os filhos. É nesse ponto que são mostrados para o leitor o egoísmo e a triste realidade da sociedade que exclui qualquer um que não caiba em seus padrões.


"Se só existe um tipo de gente, por que as pessoas não se entendem? Se são todos iguais, por que se esforçam para desprezar uns aos outros?"

Escritos pelos olhos de uma criança e se aproveitando de sua inocência, o livro é uma lição de vida para todos que quebra com paradigmas da época que ainda podem ser aproveitados hoje. Com destaque para Atticos, o personagem mais forte do livro, que vai servir como um segundo pai para o próprio leitor e lhe ensinar conceitos de humanidade que nenhum outro livro conseguiu passar até agora.


"Coragem é quando você sabe que está derrotado antes mesmo de começar, mas começa assim mesmo, e vai até o fim, apesar de tudo."

Admito que até por causa daquele estigma que todo livro clássico tem de que é difícil de ler eu demorei muito tempo para realmente começar a história. Mas eu não podia estar mais errada. O Sol É Para Todos se tornou um clássico por causa de seu conteúdo e sua controvérsia, mas a escrita e toda a história possuem um enredo de muito fácil leitura e situações que deixam o leitor desesperado para saber o fim.

O Sol É Para Todos foi publicado em 1960 por uma mulher em uma história que se passa no Alabama e trata de racismo, crescimento social e pessoal e passa mensagens lindas sobre o que é, afinal, ser humano.


1 comentários:

  1. Eu também tinha essa coisa de ter preguiça de ler clássicos, até conhecer Quincas Borbas de Machado de Assis... Nas primeiras páginas recorri muito ao dicionário, mas depois a leitura foi fluindo naturalmente.
    Eu fiquei feliz com esta resenha pois tenho visto tantas citações desse livro "o Sol é para todos" e me interessei realmente em ler.
    Um grande abraço.

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