15.3.17

[Resenha] O Cemitério :: Stephen King

O Cemitério
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 424
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Louis Creed, um jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar naquela pequena cidade do Maine. A boa casa, o trabalho na universidade, a felicidade da esposa e dos filhos lhe trazem a certeza de que fez a melhor escolha. Num dos primeiros passeios familiares para explorar a região, conhecem um "simitério" no bosque próximo a sua casa. Ali, gerações e gerações de crianças enterraram seus animais de estimação. Para além dos pequenos túmulos, onde letras infantis registram seu primeiro contato com a morte, há, no entanto, um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras e onde forças estranhas são capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível.
Se você nunca leu Stephen King mas tem vontade de conhecer esse autor fantástico (o meu favorito!) e tem dúvidas sobre por qual livro começar, pare tudo o que está fazendo e vá ler O Cemitério. Foi o meu segundo livro do autor e é o meu livro de terror favorito da vida!

Que tal a ideia de ressuscitar aquele animalzinho que fez parte da sua infância mas que teve um fim trágico? Baseado no conto “A Pata do Macaco”, de W. W. Jacobs, King anuncia ao mundo um livro mantido engavetado por muito tempo apenas por achar que a obra era horrorosa demais para ser lida. E ele estava certo.

Louis Creed, com sua família, se muda para uma pequena cidade no Maine, tendo sua casa construída à beira de uma estrada movimentada. Assim que chegam à casa nova eles conhecem Jud Crandall, que logo passa a se tornar uma figura paterna para Louis. Louis é médico e tenta se manter em seu emprego da melhor forma que pode, ao passo que Jud é um velho contador histórias. Entre uma história e outra Jud conta a Louis sobre um pequeno cemitério de animais que há detrás da casa do médico, de modo que a família Creed – composta por Rachel (mãe) e os dois filhos, Ellie (mais ou menos 7 anos), e um garotinho de apenas 2, chamado Gage – parte para uma visita ao cemitério.

É um simples cemitério onde as crianças de antigamente enterravam seus animais mortos na autoestrada. Ellie, a menina, se apavora ao perceber que o seu gato, Church, pode partir a qualquer momento. Louis, então, capa o bichano a fim de mantê-lo dentro de casa, mas não adianta muito, pois em um dia de Ação de Graças, com neve entupindo as ruas, Chruch, o pobre gato, é encontrado por Jud na estrada. Ele fora atropelado. Louis se vê perdido diante da situação, não sabe como irá contar para sua filha sobre a morte do animal.

Jud, no entanto, conta outra história a Louis: diz que há um outro cemitério atrás do de animais, um cemitério indígena, antigo, onde acreditava-se ser uma terra sagrada e onde os mortos ali enterrados ressuscitavam!

Então já sabemos aonde a história vai dar. Não contarei mais para não estragar tudo, pois é um livro um pouco previsível.
           
Primeira coisa a declarar sobre O Cemitério: apavorante. Bem, para quem conhece Stephen King sabe que ele gosta de exagerar nos detalhes e que isso colabora bastante para o horror na trama. Ele fez a mesma coisa com esse livro, e, apesar disso, a história parece ter sido escrita por um lunático.

O Cemitério tem como tema principal a morte, e como devemos ou podemos conviver com ela, sabendo que alguém próximo de nós pode morrer agora mesmo. É um livro classificado como terror, muito embora haja de tudo aqui: drama, suspense, ação... Um misto de coisas que me impressionou. Não li esse livro recentemente, porém lembro de detalhes minuciosos, porque depois de lido, isso tudo não sairá da sua cabeça tão rapidamente. É um livro clássico, provavelmente o livro mais horroroso já escrito. Não digo “horroroso” por se tratar de algo fútil, ruim, mas sim do modo como o enredo é levado ao fim, como coisas macabras são tão banais que poderiam acontecer conosco sem nenhum problema.

Em determinado ponto da história vamos acompanhar muito sofrimento. O meio do enredo é lento, mas instigante, pois sabemos que o final se trata de algo grandioso. Eu costumo pensar que O Cemitério é como uma peça apresentada em um palco. E, como o livro é dividido em três partes, fica ainda melhor exemplificar o que quero dizer.

A primeira parte é o ensaio dos atores. Precisamos que todos fiquem com suas falas afiadíssimas, então vamos ensaiar!

A segunda parte é a arrumação do palco. Temos que ter um cenário digno de muitas fotografias. Mas não precisamos ter pressa, certo? Vamos arrumar com delicadeza, botando detalhes, verificando a iluminação, a sonoplastia...

Até que chegamos à terceira parte e enfim assistimos ao espetáculo!

Os personagens criados por King são muito reais, os diálogos são impecáveis, e nesse livro a maioria deles envolve o passado. Podemos picotar cada história e criar um livro único, um livro de contos! Seria perfeito – cada relato é mais sombrio que o outro. E, gente, tem uma parte... Uma história que a Rachel, mulher de Louis, conta ao marido, revivendo sua convivência com sua irmã doente na infância... Nossa!, aquilo é tenebroso, sério.

As últimas páginas desse livro me deixaram sem dormir por uma semana ou duas. Eu ficava rolando na cama, imaginando que tinha algo errado dentro do meu quarto, sabem? Mas não sou o único que sofreu tal impacto, pelo visto. No livro há alguns comentários, e acho que este ilustra o que senti:
Este romance de King é, ao mesmo tempo, um maravilhoso retrato de família e o livro mais assustador que já foi escrito... As últimas cinquenta páginas são tão horripilantes que conseguem tirar o fôlego do leitor... Espirituoso, inteligente, observador, King nunca foi um artista tão humano.”

O livro já foi adaptado para o cinema. Ramones compôs uma música em homenagem às referências à banda que King espalhara ao longo do livro.

Então é isso, pessoal! Não temos um livro excepcionalmente indicado para pessoas medrosas ou que sofram do coração (brincadeirinha rsrs), mas para os amentes de literatura esta é uma obra indispensável. 
                     
                                                                                                                        por Saullo Brenner 

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