10.4.17

[Resenha] Misery: Louca obsessão :: Stephen King

Misery: Louca obsessão
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 326
Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante analgésico. A segunda, que ela era viciada em analgésicos. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca. Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho. A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo.
Quando se pensa em ser famoso é comum refletirmos no prestígio, em como seremos tratados e em como estaremos bem de vida. Ser famoso é uma ilusão para os próprios famosos, que não possuem vida própria, criando adornos fantasmas, pseudônimos e até mudando o visual ao sair na rua. Tudo isso para evitar alarde, ou, quem sabe, evitar correr riscos de ser sequestrado.

Paul Sheldon é um escritor famoso. Escreveu uma série de livros intitulada Misery, que conta a história de uma jovem do século XVII ou XVIII, cuja vida é preenchida por aventuras apaixonantes. Paul, que acabara de produzir o último livro da série, acaba sofrendo um acidente de carro enquanto viajava. Com ruas cobertas por neve, intransitáveis, o veículo perde o controle e Paul fica preso na neve. Até que Annie Wildes, uma ex-enfermeira fã número 1 do escritor, por acaso, encontra o homem e o leva para sua casa a fim de tratar de suas sequelas.

A princípio a hospedagem é agradável e Annie se mostra prestativa a todo instante, sorridente e alegre por enfim ter encontrado seu ídolo. É fã de Misery, a personagem fictícia, e quando descobre que Paul acabara de lançar o último livro desta história, Annie corre até a cidade (pois sua casa fica, aparentemente, no meio do nada) para comprar um exemplar.

Mas tudo muda quando a mulher termina este livro, onde Misery morre no último capítulo ao dar à luz um filho. Annie se revela por completo, tendo Paul matado sua personagem preferida. De modo que ela fará com que Paul reescreva a história, e se ele não colaborar ela poderá ajudá-lo, mostrando um martelo, aplicando-lhe uma agulha, dando-lhe comprimidos e deixando-o encarcerado no quarto de hóspedes. A vida de Paul se transforma num pesadelo palpável, na qual a solidão e o desespero farão parte de seu cotidiano.


Misery, anteriormente publicado como Angústia no Brasil, é considerado uma das obras-primas de Stephen King. O livro mostra uma realidade que alguns famosos são capazes de compreender por já terem passado pelo mesmo. Misturando realidade à ficção, pois a personagem Misery tem sua participação constante ao longo do romance, King tece uma teia alucinante, tendo apenas duas pessoas e um único cenário no livro todo.

Não pense que por ter características de um conto Misery é uma história sem grandes profundidades psicológicas e existenciais. A trama cresce a cada página, o suspense aumenta de maneira horripilante e o leitor se vê tão encurralado quanto Paul. Annie, a ex-enfermeira, é a personificação do mal em pessoa – pelo menos para aqueles que temem ser mantidos em cativo. Sem sombra de dúvida, uma das melhores personagens que já li e acompanhei, tão medonha que um fantasma ou um demônio não provocaria tanto medo.

Enfim, Misery é um thriller fantástico, cruel, onde os elementos que o autor costuma criar se cruzam e mudam todo o ambiente com inúmeros plot-twist. Leitura rápida, direta e crua, Misery surpreende, sendo considerado um dos melhores thrillers psicológicos já feito.

O livro já foi adaptado para o cinema, tendo os papéis de Paul e Annie interpretados por James Caan e Kathy Bates, respectivamente.


E para os que ainda não conhecem, segue abaixo o trailer do filme:




Por Saullo Brenner


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