30.6.17

[Resenha] Em Águas Sombrias :: Paula Hawkins

Em Águas Sombrias
Autora: Paula Hawkins
Editora: Record
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Páginas: 360
Nos dias que antecederam sua morte, Nel ligou para a irmã. Jules não atendeu o telefone e simplesmente ignorou seu apelo por ajuda. Agora Nel está morta. Dizem que ela se suicidou. E Jules foi obrigada a voltar ao único lugar do qual achou que havia escapado para sempre para cuidar da filha adolescente que a irmã deixou para trás. Mas Jules está com medo. Com um medo visceral. De seu passado há muito enterrado, da velha Casa do Moinho, de saber que Nel jamais teria se jogado para a morte. E, acima de tudo, ela está com medo do rio, e do trecho que todos chamam de Poço dos Afogamentos…


“Cuidado com superfícies muito calmas, nunca se sabe o que pode haver debaixo delas”. Essa é uma frase que define a nova história de Paula Hawkins, uma autora recém-chegada ao meio literário que já arrebatou milhares de fãs, inclusive eu. Seu novo livro, “Em Águas Sombrias”, relata histórias paralelas de personagens aparentemente ligadas a algum elo, e, por meio de quebra-cabeças, o livro vai ganhando forma e nos apresentando o que há de mais insano na mente humana.

Temos a personagem Jules, uma mulher de quase quarenta anos cuja irmã mais nova acaba de morrer. Causa: suicídio. A falecida, Nel, uma mulher que fora misteriosa até o último dia de sua morte, era considerada altamente curiosa e parecia ter participação com algum tipo de seita. Ela estava trabalhando num livro antes de morrer, intitulado “O Poço dos Afogamentos”, onde relatava suicídios de outras mulheres.

O que é engraçado é que todas essas mulheres tinham um destino comum: o rio que corta o vilarejo de Backford. Antes de Nel, Katie, uma adolescente, também tivera o mesmo fim, 2 meses atrás. Agora Jules está de volta ao local que sempre detestara, o pequeno vilarejo, com a responsabilidade de cuidar de sua sobrinha, uma garota sem modos, muito idêntica à falecida irmã.

Em meio a tudo isso, vários pontos de vistas são dispostos a fim de nos tragar para a vida de cada personagem. Ao longo da leitura é possível perceber que todos possuíam fortes ligações com Nel e que a detestavam. Jules, que está disposta a provar para todos que sua irmã não se matou, começa, então, a desenterrar segredos do vilarejo, tendo que se lembrar de um passado sombrio para ela. Só assim será possível saber o que, de fato, aconteceu com sua irmã e com as outras suicidas do rio.

Eu não esperava muito desse livro, tenho que admitir. Tanto pela crítica de vlogs que acompanho quanto pelo fato de eu acreditar que, quando um autor faz muito sucesso com seu primeiro livro, os demais não causam tanta emoção. Resultado: me enganei.

Em Águas Sombrias” é um livro estranhamente inovador, com personagens demais e histórias demais. É bem desenvolvido, tendo o presente como base, mas o passado como foco. Eu não gosto muito de livros que ficam voltando ao passado o tempo todo, mas Paula conseguiu me agradar. Primeiro que o início do livro é uma maré de dúvidas e você precisa de respostas, então ela te entrega muito lentamente, o que é bom. Um livro cheio de informações repentinamente é exaustivo.

O passado, então, ganha destaque. Precisamos saber o que houve com Nel, o que houve com Katie e o que houve com as demais mulheres suicidas. A presença de uma aura sobrenatural no livro (como bruxaria e suicídios sem explicações) é palpável, mas não conseguimos dizer se é ou não real, e isso me motivou ainda mais a ler. Diferentemente de “A Garotano Trem”, que possui poucos plot-twist e uma narrativa mais concreta, correndo para um final imaginável, a nova obra de Paula é uma corrida com vários obstáculos, sendo cada um um plot-twist animal. Às vezes isso me causou confusão, porque, quando você reúne as peças do quebra-cabeça e diz “bom, então é isso”, a autora vem com um balde de água fria e diz “pera aí, não é tão simples assim”.

O desenvolvimento dos personagens é o ponto forte do livro. Embora muitos personagens ilustrem todo o livro, cada um tem suas particularidades e sua vida, incrivelmente bem comentada e imaginada. Esses personagens são inesquecíveis, ainda mais pelo fato de todos estarem interligados de alguma forma. Ou seja, temos aqui um clássico daqui a uns 50 anos, quem sabe.

Enfim, se você procura por thrillers de qualidade, acho que Paula Hawkins pode te dar uma aula. Dá para ver que a autora ainda está no começo, sua escrita é de quem está começando (mesmo sendo tão persuasiva e intimidante), mas se essa mulher continuar nesse caminho, talvez se torne a Agatha Christie da atualidade. 


Resenhado por
Saullo Brenner

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