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4.8.17

[Resenha] Carta ao Pai :: Franz Kafka


 Carta ao pai
Autor: Franz Kafka
Editora: L&PM
Páginas: 112
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A Carta ao pai é uma peça fascinante da obra de Franz Kafka. Dificilmente algum filho pôde escrever ao pai carta mais pungente do que esta. Nela o grande escritor realiza um ajuste de contas memorável com o tirano familiar Hermann Kafka. O móvel do confronto é uma tentativa de casamento do filho que o pai desaprova, mas o texto abrange toda a relação entre ambos, num ritmo dolorosamente ágil. Como sempre, a capacidade de análise e argumentação do escritor surpreende. Aqui ela transforma uma carta em documento perene da literatura universal.

Conhecido por sua novela A Metamorfose, publicada em 1915, Franz Kafka se consagrou como um dos maiores escritores alemães de sua época e, atualmente, serve como um referencial quando falamos de literatura alemã.  Muito estudado e lido, Kafka conquista os corações de alguns leitores e causa repulsa em outros casos, talvez por sua construção narrativa ou por pura falta de identificação, o que é normal acontecer. Afinal, suas obras possuem personagens que realmente são de difícil identificação, não é todo mundo que se transforma em um inseto gigante de um dia para o outro, não é mesmo? Porém, além da assimilação, as obras escritas por Franz Kafka carregam um pouco (ou talvez muita) criticidade e isso se estabelece através de seus inúmeros personagens.


Em Carta ao Pai, Kafka não cria nenhum personagem além dele mesmo, ou melhor, ele não cria nenhum personagem, apenas escreve o que ele realmente sentiu em sua vida enquanto viveu com o pai. Esse livreto possui a carta (enorme, diga-se de passagem) que Kafka escreveu ao seu pai, mas que nunca entregou a ele. É uma carta dura, fria e, de certa forma, expositiva. Kafka expõe com muita clareza as lembranças de todas as vezes que o pai o humilhou, brigou com ele e o colocou para baixo. É uma carta muito intima, tão intima que o leitor duvida se deveria estar mesmo lendo ela, pois se fala muito que Kafka não considerava essa carta parte do seu trabalho como escritor. Tem grande carga de negatividade, afinal, Franz sofria nas mãos do pai rígido e feroz.

Durante a leitura é até possível se identificar em algumas partes e eu me perguntei diversas vezes como poderia existir um monstro tão perverso como Hermann Kafka. É a partir dessa negativa enorme que o pai de Kafka o “educa” e é a partir dessas manifestações de rigidez que o filho constrói a própria imagem e começa a se autocriticar, se desvalorizar e assim por diante. Li algumas coisas sobre como o Kafka era tímido e fechado, que parte dessa personalidade dele era herdada dada a grande (má) influência de Hermann na vida do filho.

Nota do tradutor: “(...) alguém que tenta – a todo custo – se justificar diante de um tribunal, o maior dos tribunais, tribunal paterno...”

Eu gosto muito do Franz e pretendo ler todas as obras escritas por ele. Não sou só apaixonada pela carreira dele como escritor, mas também por sua vida e pude conhecer mais um pouco dele nessa edição da L&PM que tem notas de rodapé e adicionais. No mais, este é um livro que eu indicaria para pessoas que já conhecem a escrita do autor e querem encontrar com uma face de Kafka que nem ele mesmo queria mostrar. Além disso, não indico para pessoas que querem conhecer o autor, pois o leitor iniciante pode sentir certa hesitação diante das outras obras do leitor. 

Postado por:
Amanda

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