16.9.17

[Resenha] O Perfume da Folha de Chá :: Dinah Jefferies


O perfume da folha de Chá
Editora: Companhia das Letras
Autora: Dinah Jefferies
Páginas: 432
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Um homem atormentado por seu passado. Uma mulher diante da escolha mais terrível de sua vida. Em 1925, a jovem Gwendolyn Hooper parte de navio da Escócia para se encontrar com seu marido, Laurence, no exótico Ceilão, do outro lado do mundo. Recém-casados e apaixonados, eles são a definição do casal aristocrático perfeito: a bela dama britânica e o proprietário de uma das fazendas de chás mais prósperas do império. Mas ao chegar à mansão na paradisíaca propriedade Hooper, nada é como Gwendolyn imaginava: os funcionários parecem rancorosos e calados, e os vizinhos, traiçoeiros. Seu marido, apesar de afetuoso, demonstra guardar segredos sombrios do passado e recusa-se a conversar sobre certos assuntos. Ao descobrir que está grávida, a jovem sente-se feliz pela primeira vez desde que chegou ao Ceilão. Mas, no dia de dar à luz, algo inesperado se revela. Agora, é ela quem se vê obrigada a manter em sigilo algo terrível, sob o preço de ver sua família desfeita.
O perfume da folha de chá” é um romance que tem como pano de fundo o Ceilão da década de 20. O Ceilão, atualmente chamado de Sri Lanka é um país do sul da Ásia que foi uma colônia britânica no período de 1815 a 1948. As línguas oficiais são cingalês e tâmil.Como colônia, o povo era oprimido e os britânicos que habitavam o local era basicamente pessoas de posses e donos de fazenda. O ressentimento entre o povo e os britânicos era grande, além da própria divisão cultural e religiosa entre os povos do local. 

O livro é dividido em prólogo, Parte I – A nova vida, Parte II – O segredo, Parte III – O sofrimento e Parte IV – A verdade. No prólogo temos a perspectiva de uma mulher misteriosa e o seu bebê em uma situação que demonstra grande solidão. 

Em seguida, há um salto de 12 anos na história e o leitor acompanha a história de Gwen, uma jovem de 19 anos, recém-casada com Laurence, um viúvo de 37 anos de idade. Gwen fica encantada com Laurence desde o princípio e considera-se sortuda por se casar com alguém que ama e que tem grande estabilidade financeira, já que Laurence possui uma grande fazenda de chá no Ceilão. Sabendo que a vida do marido está no Ceilão, Gwen aceita prontamente mudar-se para lá. 

O Ceilão é um local culturalmente diferente de tudo o que Gwen conhece. Os cheiros, as cores, a cultura, o povo, tudo é novidade para jovem, inclusive administrar a fazenda. Sua chegada não é como imaginava. Os empregados são resilientes a sua presença, politicamente o local é tenso e existe um grande desentendimento e preconceito entre ingleses X cingaleses X tâmeis. A situação chega a um ponto em que Gwen se vê completamente isolada, mergulhada na solidão enquanto o marido sai para trabalhar. E quando Laurence está em casa, ele não é mais o mesmo. Existe um lado sombrio em Laurence e o seu passado é um segredo tão grande que começa a causar uma ruptura em seu casamento. 

Além disso, outras mulheres começam a causar atrito no relacionamento dos dois, como uma viúva americana, Verity, a cunhada de Gwen. Verity é uma pessoa mesquinha, que sente prazer ao causar desconforto em Gwen, mesmo na frente do irmão, que não faz absolutamente nada diante das ações dela. 

Conforme o tempo passa, o leitor é levado a uma história repleta de segredos e meias verdades que começa, a borbulhar quando Gwen engravida. 

Gwen é uma personagem que apresenta um crescimento pessoal inacreditável. Ela começa como uma mocinha romântica e sem noção, mas que ao vivenciar o isolamento e a solidão, começa a entender as consequências de suas decisões. Ela torna-se alguém muito interessante de se observar, pois acaba guardando seus próprios segredos. 

Laurence é um personagem que tem o caminho oposto de Gwen. Inicialmente ele é totalmente encantador e irresistível, mas seu retorno ao Ceilão apresenta sua verdadeira face sombria e taciturna. 

Vale destacar que o próprio Ceilão é um dos protagonistas do livro. A forma como foi descrito, sua cultura, o povo, as cores e tudo mais acaba arrebatando o leitor. 

“Ela estendeu os braços e o beijou, sentindo-se dividida. Sua vontade era compartilhar aquela confusão terrível, expor a verdade e se desvencilhar da teia de mentiras antes que se estabelecesse de vez, mas o sorriso estampado no rosto dele a impediu. Depois de vários dias, Laurence estava de volta, não só em termos de presença física, mas emocionalmente também. Gwen foi capaz de se conter e aceitar o abraço, mas sabia que nada voltaria a ser como antes.” (p. 156)

1 comentários:

  1. Vi muitos comentários bons sobre esse livro, que até então sabia bem pouco sobre, e estou bem curiosa para lê-lo. Adorei as coisas que você disse e fico feliz em saber que a personagem evolui durante a história.

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura | Facebook | Instagram

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