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20.4.18

[Dorama SB] Crítica "Call me mother"



Quem está acompanhando o blog sabe que não faz muito tempo que fiz um post sobre as primeiras impressões - só clicar para conferir - que eu tive do drama "Call me mother" e elas não foram nada menos que impactantes nos mais diversos sentidos.

"Call me mother" é um drama que fala sobre abuso e violência infantil de forma muito forte e real. Isso mexe com a gente. Não é fácil ver uma criança sendo negligenciada e torturada física e emocionalmente.

É muito triste de se ouvir uma criança chegar sozinha à essas perguntas e conclusões:
"É possível uma criança sobreviver sem uma mãe?"
"Minha mãe me jogou na lixeira!"
Por isso nem vivi minha vida toda ainda e já considero "Call me mother" um dos melhores e mais marcantes dramas da minha vida.

Mother (Call Me Mother)
마더

Episódios: 16 | Emissora: tvN | Ano: 2018
Sinopse: A pesquisadora de pássaros Soo Jin (Lee Bo Young, God's Gift - 14 Days) começa a trabalhar como professora substituta num colégio primário. Ela é boa no que faz e é muito gentil, mas não é do tipo maternal e nem gosta de se envolver na vida de seus alunos, isso até encontrar alguém especial. Hye Na (Heo Yool) é uma amável garota cheia de vida que acaba por preencher a vida da professora. Soo Jin acaba se afeiçoando a Hye Na, mas nota que há algo estranho no relacionamento da menina com sua mãe, Ja Young (Go Sung Hee, My Beautiful Bride). Quando a ausência de Hye Na começa a coincidir com diversos hematomas em seu pequeno corpo, Soo Jin percebe que ela é vítima de violência doméstica. E numa desesperada tentativa de salvar a garota, Soo Jin a sequestra pensando em levá-la para um lugar seguro. Responsável pelo bem-estar da menina, Soo Jin percebe que ser uma boa mãe é um dos maiores desafios da vida.

Tudo começa quando Soo Jin, uma ornitóloga de sucesso, precisa trabalhar como professora substituta em uma escola infantil durante o processo de fechamento do centro de observação a aves em que ela trabalha. Soo Jin é uma mulher fria e decidida, que acredita que assim como há animais que vivem solitários há humanos que vivem assim também, e ela é um deles.

Assim ela se surpreende e se assusta quando percebe que terá que trabalhar com crianças com pouco mais de 8 anos de idade. Soo Jin não sabe lidar com crianças e nem deseja isso, mas em meio as crianças barulhentas que a intimidam tanto Hey Na se destaca com toda sua maturidade e olhar triste.

Hey Na é a criança mais odiada da sala e sore um forte bullying de seus colegas que a chamam de nojenta e lixeira constantemente por ela não ser uma menina bem cuidada. Soo Jin realmente se incomoda com isso, mas acredita que não é seu trabalho tomar alguma atitude mais brusca do que apenas corrigir os meninos. Isso muda quando ela mais de uma vez esbarra em Hey Na durante a noite perambulando sozinha pela cidade.
"Uma criança suja é alvo fácil, pois isso significa que não tem ninguém para cuidar dela."
E assim Hey Na passa secretamente a desejar que sua professora fosse sua mãe. E Soo Jin passa a ter uma consciência absurda daquela criança que a faz se preocupar como ela nunca pensou que se preocuparia na vida, não depois de ter sido abandonada quando criança e ter jurado que nunca seria mãe para não ter que sujeitar uma criança àquele tipo de sofrimento.


Mas todos os dias Hey Na conquista mais um pedacinho do coração de Soo Jin e causa mais preocupações ao começar a aparecer com machucados horríveis pelo corpo, o ápice disso é quando ela aparece com o ouvido enfaixado e a escola decide pedir ajuda para a polícia para relatar o abuso infantil. Contudo crianças que são abusadas acabam numa situação viciante em que elas se veem defendendo os pais que as machucam pois acham que eles são tudo o que eles tem.

A mãe de Hey Na mora com seu cruel e estranho namorado, um homem que faz Hey Na desejar não estar ali e que faz Soo Jin tremer com violentas lembranças até então esquecidas de seu passado. Ao vê-lo, ver seu olhar, Soo Jin se pergunta se tudo bem ela deixar para trás aquela criança e seguir rumo a Islândia e seu novo trabalho como ornitóloga.
"Eu vi o homem que mora com ela e com a mãe.
Foi a primeira vez que eu o vi, mas... ele tinha um olhar que conheço.
O olhar de uma besta que destrói mulheres e crianças."




Ele é o principal motivo que faz Soo Jin temer pela segurança de Hey Na e é essa preocupação enlouquecedora que a faz visitar Hey Na antes de sua partida, mesmo que tarde da noite. Para seu desespero ela encontra Hey Na presa dentro de um saco de lixo do lado de fora da casa numa noite em que está nevando. Se ela não tivesse ido até lá Hey Na teria morrido antes do amanhecer.


É aqui que tudo se inicia, com Soo Jin decidindo que não deixará aquilo continuar, que ela prefere correr os riscos a deixar aquela menina ser morta por ser neglicenciada. 
"Minha mãe me jogou fora!"
"E agora é a sua vez de jogá-la fora, você acha que consegue?"
Pegando Hey Na e combinando com ela uma maneira de forjar sua morte no mar para que seu sumiço não seja suspeito, dando assim tempo para que elas consigam sair do país. A luta de Soo Jin e Hey Na para permanecerem juntas e Hey Na não voltar para àquele ambiante abusivo começa.

"Call me mother" foi o primeiro dorama a ser indicado ao Festival de Cannes por um motivo muito simples: ele é realmente maravilhoso, de inúmeras formas.

Do meu ponto de vista esse k-drama é uma obra de arte, é um drama que retrata o que é ser mãe e como você pode ser mãe de maneiras tão diferentes e importantes que esse fato fica emplacado com a importância e crítica que o dorama faz ao abuso e negligência infantil.

"Mas uma mulher se torna mãe quando dá tudo de si e se dedica completamente a uma criatura menor."
Soo Jin é uma mulher que foi criada por muitas mãe. A mãe que a abandonou e deixou cicatrizes enormes, endurecendo seu coração. A mãe que a aceitou em seu orfanato e lhe ensinou que tudo bem você não ter uma mãe. E a mãe que a adotou mesmo sabendo que no coração de Soo Jin ela não era vista como mãe apesar de ver Soo Jin como sua preciosa criança. Esse tipo de experiência a transformou numa mulher dura e racional que teve sua parede emocional, construída a duras penas, derrubada ao encontrar Hey Na.

Todo episódio nos mostra isso, nos mostra essas relações complexas e algumas vezes perturbadas entre todos. E não só foca na Soo Jin, mas também mostra o ponto de vista de todas suas mães e irmãs e pessoas que a ajudam ao longo da trama, e são muitas.

Mas também foca em outros detalhes, como a mãe problemática da Hey Na.

Na minha opinião ela não deveria ser mãe, e quanto mais eu a conhecia mais gritava "VOCÊ PRECISA DE UM PSIQUIATRA MINHA FILHA!", mas quanto mais eu a via mais eu conseguia entender que há situações em que as mães não conseguem lidar com seus filhos e que é muito duro julgar tão duramente isso pois elas também são seres humanos e há seres humanos que se quebram com mais facilidade. A mãe da Hey Na é assim, mas o que eu não posso perdoar é como ao se quebrarem essas mães fazem questão de quebrar suas crianças também. Ela deveria ser um porto seguro, mas acabou sendo a âncora que podia ter dado fim a vida de sua filha.

Ou mesmo o babaca psicótico do namorado ela. FOCO nele gente, pois ele retrata como nos prendemos a relações abusivas e perigosas quando achamos que não podemos sobreviver sem os outros.

Há também os policiais que desde o primeiro momento não acreditam que a Hey Na possa ter simplesmente caído no mar e seguem firmes em sua investigação. 

Num primeiro momento eu estava "Isso mesmo, façam a mãe dessa menina pagar!", mas então as coisas começaram a se tornar grandes demais e a mídia se envolveu transformando todo o caso numa bola perigosa e gigante de neve.

E então mesmo quando eles descobrem que Hey Na fugiu - foi sequestrada na mente deles - por todos os motivos que a colocavam em risco dentro de casa, mas mesmo assim eles continuam de forma intensa atrás delas, para prender Soo Jin, eu comecei a me perguntar exatamente qual era essa justiça que coloca a autoridade dos pais abusivos sob a criança acima da lei, transformando quem as protege em criminosos. Na minha mente é como quando o marido bate na mulher e está tudo bem pois ela é a mulher dele. Desde quando um ser humano é propriedade de alguém só por carregar o mesmo sobrenome ou sangue?!

Considerações finais.

Se você é como eu e gosta de assistir coisas que te deem choques de realidade e exponham fatos que irão mexer com seu psicológico e te transformar numa pessoas mais consciente, eu recomendo - fortemente - "Call me mother". Ele merece todas as boas críticas que recebeu e nos emociona tanto a ponto de você chorar pelo menos uma vez em cada episódio. Então assistam com água e lentos, você precisará de ambos.


Elas estão esperando por vocês!

comentários pelo facebook:

Um comentário

  1. Olá Agatha!
    Por causa do seu post anterior já separei o drama para assistir ^^
    Ótima resenha.
    Bjos
    http://www.kelenvasconcelos.com.br/

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