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31.8.18

[Dorama SB] Crítica "My Mister" - 나의 아저씨


Okay, talvez vocês pensem que eu estou presa em alguma "bad vibes" e por isso tenho feito tantas indicações um tanto quanto "sombrias", mas a verdade é que para mim as melhores séries são aquelas que mexem com a gente, num nível tão profundo e psicológico que elas passam a integrar a pessoa que você é, pois te sacudiram o suficiente para remoldar suas estruturas.

"My Mister" é um drama que nos mostra que a vida de ninguém é fácil, que é muito simples nos perdermos nos nossos sofrimentos e acharmos que mais ninguém sofre como nós, mas que se nos dermos ao trabalho de olhar para o lado e vermos a vida dos outros perceberemos que não somos os únicos chorando ao lidar com isso que chamamos de vida, que não é só você que está dando o seu melhor para não ruir.
"Está tudo bem fracassar. Mesmo se você falhar, você ainda pode ser feliz."
Só pelo elenco de peso eu já assistiria, e confesso que tive dúvidas ao longo dos teasers sobre como as coisas iriam se dar, me perguntei se a atmosfera seria fria e dura demais, se em algum momento veríamos um vislumbre de romance e comédia... Mas se tem uma coisa que concluí ao acabar esse drama foi: valeu completamente a pena!

My Mister (My Ahjussi)
나의 아저씨

Episódios: 16 | Emissora: tvN | Ano: 2018
Sinopse: Park Dong Hoon (Lee Sun Gyun, My Wife’s Having an Affair This Week) é um engenheiro de uma firma de arquitetura. Ele já passou por maus bocados: um casamento complicado e seus dois irmãos chegaram no fundo do poço na vida. Reservado e fiel, Dong Hoon se importa muito com sua família, mas sua cautela diante da vida evita qualquer mudança em seu cotidiano. Mas tudo está prestes a mudar quando ele conhece ela: Lee Ji An (Lee Ji Eun aka IU, Scarlet Heart Ryeo). Ji Han já passou por muitas dificuldades e tem uma montanha de dívidas acumuladas para pagar. Ela aceita qualquer trabalho que aparece em sua frente, mas a sua próxima tarefa será a mais difícil: conhecer mais sobre o Park Dong Hoon. O que começa como apenas um trabalho, acaba se tornando uma conexão verdadeira com um homem avariado. Com o tempo, eles percebem que a proximidade pode ajudar a curar feridas emocionais um do outro. Também conhecido como "My Ahjussi", My Mister é dirigido por Kim Won Suk (Signal) e roteirizado por Park Hae Young (Another Oh Hae Young).
Logo de início somos apresentados a duas pessoas distintas. De um lado temos Park Dong Hoon, um engenheiro, na faixa dos 40, renomado que foi rebaixado, vivendo uma vida completamente exaustiva e sem grandes motivos para continuar. Seus dias são ir trabalhar, trabalhar exaustivamente até tarde, sair do trabalho, ir até a família complicada para beber e ouvir os irmãos expondo suas mágoas e então chegar a sua casa fria e vazia para ver de vez em nunca a esposa que um dia foi seu grande amor, mas que hoje é quase uma estranha.


Penso eu que só isso já me deixaria meio doida e na beira de meu limite, mas Dong Hoon não é como eu. Mesmo com seu dia-a-dia completamente cinza Dong Hoon é um homem muito quieto e plácido na vida, não importa o quão ruim é a situação, ele se mantém calmo e tenta lidar com isso sozinho, de forma a não envolver ninguém em seus problemas pessoais. Não importa se ele foi injustamente rebaixado de cargo após seu calouro da faculdade, Do Joon Yeong, ser promovido a diretor e ter o brilhante - e totalmente retrógrado - pensamento que seria desconfortável trabalhar tão próximo de seu veterano no trabalho sendo que ele é mais novo. 

Mas sinceramente quem me dera se esse fosse o único motivo babaca e injusto para ele tratar mal o Dong Hoon...

Para ele não importa se sua esposa quase não fica em casa, que seus diálogos acabaram reduzidos a padrões mecânicos da convivência, que eles estejam tão afastados que é duro vê-los. Não importa que seus irmãos, tanto o mais velho quanto o mais novo, sejam tão fracassados na vida que estão sempre bebendo, reclamando e causando confusão e que ele seja o responsáveis por sempre limpar a bagunça. Nada disso importa, porque ele precisa seguir em frente.

E do outro lado conhecemos a Lee Ji An, uma jovem na casa dos 20 que vive uma vida inesperadamente difícil e complicada. Órfã e guardando um segredo envolvendo sua adolescência, Ji An só tem sua avó surda e idosa e seu irmão viciado em games que nem mesmo vive com ela. Responsável por essas duas pessoas Ji An passa por maus bocados para sustentar à todos e ainda pagar as dívidas que seus pais lhe deixaram antes de morrer, com agiotas.

Para conseguir manter sua avó num asilo e pagar as dívidas Ji An não vive, ela sobrevive com o básico do básico e longe de tudo e todos, pois ela não confia em ninguém. O mundo e as pessoas já provaram que ela não pode fazer isso, que ao confiar você se machuca com a traição e recusa, que a bondade das pessoas vai somente até determinado ponto, até onde seus interesses não entrem em conflito e não se torne algo incômodo.

É com esse tipo de pensamento rodando em sua cabeça que ela conhece Dong Hoon e não o entende. Ji An o vê e se sente minimamente intrigada por sua pessoa, mas é justamente nesse período que Dong Hoon recebe um envelope contendo 50 milhões, 50 milhões que não eram para ele e exatamente por esse motivo e por Dong Hoon entrar em pânico e não saber a quem recorrer para discutir isso, que Ji An resolve pegar esse dinheiro e pagar suas dívidas. 

Mas as coisas não saem como planejado, os agiotas decidem denunciá-la sobre o roubo e o pessoal do trabalho descobrem sobre o suposto suborno e querem demitir Dong Hoon por aceitar propina. Nesse meio tempo Ji An descobre que o dinheiro era uma armação para o CEO, Do Joon Yeong, que na verdade é um mal caráter que está tendo um caso com a mulher de Dong Hoon e por isso o rebaixou no trabalho e quer tanto um motivo para demiti-lo.

É aí que Ji An se envolve com Dong Hoon. Querendo - necessitando - pagar suas dívidas Ji An vê nessa situação a oportunidade para ganhar dinheiro, e assim se oferece a Joon Yeong para espionar Dong Hoon e achar um jeito de demiti-lo. O que Ji An não esperava é que seguir e ouvir os passos de Dong Hoon fossem mudar sua vida de forma completa e irrevogavelmente.



Obaaaa agora vem a parte feliz? Em que você diz que tudo se resolve e que as coisas não são tão cinzas e tristes quanto parecem? Bem, na verdade não e sim. A vida tem suas parcelas de felicidade em meia a dor e caos e você só precisa aprender a valorizar elas como pequenos tesouros. Sempre. E isso diz respeito as grandes pessoas que entram e passam pela nossa vida.
"Todo relacionamento interpessoal é fascinante e precioso."
Comecei a assistir "My Mister" não sabendo o quanto este drama iria me mostrar realidades da vida, bem como suas dores, dificuldades e belezas. E talvez você pense que o drama foque nesses dois citados acima, a Ji An e o Dong Hoon, mas não se enganem, "My Mister" é feito pelo conjunto de pessoas que compõem a vida desses dois.



Ao longos dos episódios vamos conhecendo os irmão problemáticos de Dong Hoon, que na verdade são pessoas extremamente fiéis ao conceito de família e que não medem esforços para ajudar o irmão. São homens que estão numa fase péssima e tentando não desaminar com isso, que bebem e jogam futebol sempre que podem e que nos fazem rir com suas trapalhadas.

Por conta deles eu pensei que é ótimo ter esse tipo de relacionamento com seus irmãos - eu tenho dois -, pois se eu tiver que resolver seus problemas na mesma medida que eles resolvem os meus conforme envelhecemos eu penso que nunca estarei sozinha. Mesmo que o mundo resolva me abandonar eu teria os dois ao meu lado. É isso que eu penso desse trio.


Conhecemos também a esposa de Dong Hoon, Kang Yoon Hee, uma grande advogada que conheceu Dong Hoon ainda na faculdade e desde então estão juntos. Uma mulher independente que sempre teve o apoio do marido para ir atrás de seu sucesso profissional mas que em algum momento começou a se sentir vazia, solitária e não amada por ele e toda sua calma e aparente indiferença diante da vida. Não que eu a suporte tá gente? Nem que ache suas ações válidas, afinal se você deixou de amar alguém que deixe essa pessoa saber disso e vá embora sem causar mais danos, não seja egoísta e tente manter tudo enquanto traí a pessoa que um dia lhe entregou o coração. Eu a via e não conseguia parar de pensar que se ela tivesse conversado com Dong Hoon, eles teriam sido extremamente felizes...


E eu COM CERTEZA NÃO ENTENDO PORQUE ELA ESCOLHEU ESSE TRASTE!!! Gente, que isso, tantas pessoas no mundo para ela se apaixonar e ela vai e escolhe o maldito e invejoso do Do Joon Yeong. Esse é o tal CEO que rebaixa nosso Ahjussi.

Sinceramente? Ele me ensinou que não acreditar em nossas capacidades e nos comparar com os outros e desejar o que os outros tem é muito perigoso para nossa saúde mental e ações físicas. Não se levem a esses extremos inconsequentes por fama e poder, na vida essas são as ambições que causam mais mal ao ser humano. Fico chocadíssima com como as pessoas cometem atos horríveis por isso. E eu aqui brigando por comida e desejando um amorzinho, a simplicidade em pessoa...


Vemos também Dong Hoon cercado de pessoas na meia idade - um pouco loucas - com seus próprios problemas e sobrevivendo a vida com muita bebida, risadas idiotas e amizade. Porque na vida a família que a gente escolhe pra gente é muito importante, pois ela não está ligada à nós por sangue e sim por amor, lealdade e amizade.

Todas essas pessoas que o cercam nos dão um show de emoções que me nego a compartilhar e estragar a surpresa e emoção de vocês.


Agora irei falar sobre Lee Ji An, essa mulher que me fez querer tirar ela da tela, abraçá-la e fazê-la dela minha amiga só para dizer que tudo bem, que ela pode sorrir, que o mundo não é tão cruel e difícil assim, que ela pode ser ela mesma e não se preocupar e sofrer tanto, se culpar tanto.

Essa garota tem muitos problemas, de verdade, e ao longo do drama vemos o quanto a vida fez dela alguém fria e que não acredita em nada. É muito triste ver uma jovem tão desacreditada e vivendo apenas porque há pessoas que precisam dela para poderem continuar vivas. Eu queria muito que ela vivesse porque ela quer mais um dia para sorrir...


Seu relacionamento com a avó é lindo e profundo e só reforça a ideia de que tudo o que ela precisava eram de pessoas, boas pessoas, se preocupando com ela.
"Crianças que passam por muito sofrimento, crescem rápido demais."
E quando ela se envolve com Dong Hoon, mesmo que inconscientemente, ele começa a se preocupar com ela. Com essa "menina que nunca está bem vestida para o frio", e isso mexe com ela, pois pela primeira vez tem alguém cuidando, se preocupando, torcendo e ajudando ela sem pedir nada em troca.

Há UM MILHÃO de detalhes e considerações a serem feitas, sinceramente. Mas o que eu disse é o suficiente para vocês sentirem o clima desse dramão! 

Se eu pudesse recomendar coisas, eu recomendaria coisas que além de me entreter me conscientizem e emocionem sobre o mundo e as pessoas, pois isso é o que mais precisamos atualmente. Que eu deixe as gargalhadas para os memes de gatos e vídeos de tentem não rir que eu sempre choro rindo, mas que na hora de gastar meu tempo vendo algo que seja algo que me transforme em alguém melhor enquanto eu me entretenho. 

"My Mister" me fez sorrir, chorar, gargalhar, me frustar e acima de tudo, me transformar. Obras de arte fazem isso não?

P.S. Falo isso, mas também tenho meus momentos séries e doramas fofíneos e comédias que são só para eu morrer de amores e chorar de rir, afinal a vida não é só sobre ser séria e ter consciência, é sobre sorrir e ser feliz com pequenas coisas não? E todo mundo precisa ter seu momento dos dois.

Então para todos que estão no seu sad day...~Fighting!



E para todos que estão sorrindo... ~Fighting!




Escrita por
Agatha






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