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23.12.19

[Resenha] Tempo de Graça, Tempo de Dor :: Frances de Pontes Peebles

Tempo de Graça, Tempo de Dor 
Autora: Frances de Pontes Peebles
Editora: Arqueiro
Páginas: 367
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Nascida na miséria e órfã de mãe, Das Dores trabalha na cozinha de um grande engenho de açúcar em Pernambuco, nos anos 1930. Um dia, a chegada de uma menina muda tudo. Graça, a filha mimada do novo senhor da fazenda, é esperta, bem alimentada, bonita - e encantadoramente malcomportada. Vindas de mundos tão diferentes, elas constroem uma amizade que nasce das travessuras em dupla, floresce em seu amor pela música e marca para sempre sua vida e seu destino. Quando veem o que o futuro no engenho lhes reserva, elas fogem para o Rio de Janeiro em busca de uma carreira como divas do rádio.

Tempo de Graça, Tempo de Dor relata a história de duas meninas vindas de 'Brasis' completamente distintos em plenos anos 30 acelerado pela economia do café; em que as oportunidades para mulheres eram ainda mais escassas. A trama é narrada desde o inicio por Das Dores ou simplesmente 'Jega' (apelido pejorativo, o mesmo esse que a narradora deixa claro desde sempre o seu desprezo) em forma de memórias que surgem na quebra de tempos lineares. Jega nasceu e cresceu em um engenho sem direitos, sem conhecer o significado da palavra carinho. Órfã de mãe e sem pai, a mesma foi criada por uma cozinheira que lhe ensinou os serviços da casa e deixou clara a  sua posição social mesmo ainda sendo somente uma criança pequena. Certo dia chega a fazenda um novo casal de proprietários com sua filha pequena que é muito mimada. Seu nome? Graça. Logo de inicio as duas realidades se cruzam e surge daí uma amizade: para alguns estranha e piedosa e para outros cheia de oportunismo e regalias.

Patroinha - como Graça era chamada - é uma garota com uma atitude diferente, por mais que não seja da mesma posição social de Jega, ela alimenta a amizade das duas fazendo até com que sua mãe a deixe participar de aulas, assim sua amiga aprende a ler, e claro um adendo: Enquanto Graça esbanja beleza e carisma, Das Dores é a mente da amizade. Um dia as duas descobrem um amor em comum: a música. Um chamado avassalador, responsável pelas suas grandes dores e reviravoltas; o mesmo que as leva para longe  do engenho em busca da realização de um mesmo sonho: Cantar para o mundo.



Das Dores nossa narradora é uma das personagens principais, traz durante grande parte da trama não somente uma visão indireta dos acontecimentos como também conta a história como se estivesse em um bate papo com amigos antigos, nós leitores conseguimos sentir de forma muito intensa todas as emoções que a narradora, e claro os outros personagens, passam. Por mais que Graça seja a estrela e  a corrente que liga todos podemos considerar que Das Dores é a alma da trama, e sendo assim considero que não existe um personagem principal. A história é tão bem 'unida' que faz de um papel muitas vezes único ser dividido ao meio. 

Tempo de Graça, Tempo de Dor é mais que a história de duas amigas (quase irmãs), é um relato da música, política e cotidiano brasileiro e estadunidense dos anos 30. Os gostos musicais, as tendências, as inclinações políticas, os amores, os cabarés e todo o luxo e RE-criação do Samba

Um adendo: Durante toda a trama existem letras de samba que se casam lindamente com cada capítulo do livro. Essa história é um  relato cru da vida fora dos holofotes, dos bastidores da fama ou pelo menos da luta para conquista-la. 

Um livro intenso em todo sentido da palavra. Acredito que foi uma das leituras mais 'completas' que fiz no ano, pelo fato de casar amor, dor, felicidade, história e amizade em uma só trama. Confesso que mesmo nunca ter se quer tido contato com algo referente a época, ao terminar essa obra posso dizer que senti uma certa nostalgia. Estranho, não? Acredito que essa seja a magia da literatura. 

"Se a lembrança nos diz quem somos, o esquecimento é o que nos mantém sãos. Se pudéssemos lembrar cada canção que ouvimos, cada toque que sentimos, cada dor, por menor que seja, cada tristeza, não importa quão insignificante, cada alegria, não importa quão egoísta, certamente enlouqueceríamos." p(211)
  



comentários pelo facebook:

3 comentários

  1. Oi Jennifer.

    Tem pouco tempo que li este c e também gostei bastante da história. Especialmente por causa de ter um cenário diferente do que estou acostumada à ler.Eu quero muito conferir outras obras da autora pois achei a escrita bem flui e rica em detalhes. Parabéns pela resenha.

    Bjos

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    1. Oi Kenia, também achei bem fluída a escrita da autora. É o primeiro livro que li dela, pretendo ler outros, amei a forma como decorre a história.

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  2. Não conhecia esse livro, mas como amo um bom romance histórico, já fiquei curiosa para conhecer mais sobre essa história

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