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24.5.16

[Meus Devaneios] Uma manhã como todas as outras.

Uma manhã como todas as outras. 

Levantei, lavei o rosto e examinei meu reflexo no espelho. Havia muito tempo que eu não parecia mais saudável - e nem era, de certo modo. Olheiras estampavam a pele abaixo dos meus olhos, me lembrando das noites mal dormidas e dos dias difíceis pelos quais eu passara. Algumas vezes, ouvi meus olhos gritarem por uma trégua, não queriam mais chorar, mas eu praticamente os obrigava, dia após dia, e aquilo era tudo o que eu tinha para aliviar a dor.

Eu continuei olhando para aquele espelho, que parecia me conhecer mais do que eu mesma. 



Quando você já repetiu o seu "problema" dezenas de vezes, chega um momento que você simplesmente não quer mais falar daquilo (não que quisesse, no começo), porque você já sabe todas as respostas possíveis que alguém pode te dar. E assim, o problema acaba sendo menosprezado e deixado no esquecimento.
Isto é, para as pessoas que não sofrem desse problema.
Ao invés de ouvir palavras da boca para fora de consolo, por pura pena, de pessoas que pensam que "é só fechar a boca", eu preferi me isolar. E o isolamento pode ser tão deteriorante quanto ouvir a falação.
E agora, o espelho me olhava de volta, me desafiando.
É como sempre foi, certo? Ele me olha, mostrando minhas imperfeições, me desafia.
Eu sento no chão diante dele, impotente, e choro.
Sei que a partir do momento em que eu sair daquele quarto, terei que estampar um sorriso no rosto pelo resto do dia, esperando que seja convincente, mas vai chegar o momento em que eu voltarei para o quarto, e tudo vai começar de novo… A menos que eu finalmente faça alguma coisa.
E foi o que eu fiz. Cansei de ser uma escrava da minha aparência! De me esconder atrás de um padrão que eu não lembro ter um dia aceitado, mas era imposto a mim de qualquer maneira. "Quer saber?", disse eu, para o espelho. "Eu sou linda!". Com toda a coragem e força de vontade que estavam adormecidas em mim durante tantos meses, finalmente me senti liberta. É claro que não é algo instantâneo e definitivo, é um processo e eu dei o primeiro passo. Obviamente, não pretendia me perder naquilo de novo, mas era algo que tinha que ser arrancado pela raiz, e não hesitei em chutar o maldito espelho com força. Observei com prazer o espelho se partir em centenas de minúsculos pedaços.
Aquilo que havia me atormentado durante tanto tempo se foi tão rápido que o gesto quase pareceu inválido. Então eu sentei na beira da minha cama e olhei para a bagunça que eu tinha feito.
"No fim das contas, meu caro espelho, parece que eu venci."



comentários pelo facebook:

4 comentários

  1. Oie Lay.
    Vou ser sincera, bem sincera, quando você começa o texto dizendo que se olha no espelho e não se reconhece eu me reconheci, não uma, nem duas vezes eu me olhei no espelho e perguntei exatamente quem eu estava vendo; eu? o que a sociedade quer que eu seja? o que a família precisa? o que quero ser?
    No mundo que vivemos somos camaleões, mas esquecemos que a melhor forma é só sermos nós mesmo né? Adorei o texto.
    Bjokas

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    1. Exato Agh, é uma luta além da aparência, é disso que esse texto fala, que bom que gostou!!!
      Beijinhos :*

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  2. Ei Lay, eu sou apaixonada por esse texto. Desde a primeira vez que eu li. Somos movidos por nossos questionamentos e pelo questionamentos dos outros as vezes né? Espero que você sempre vença o seu Espelho e ouça a voz do seu <3
    Beijo!

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    1. Ahhhhh, que lindaaaaaaaa hahahah, obrigada Bia <3

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