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22.8.20


Anne caminhou pelos corredores do grande estúdio. Não importava quantas vezes já estivera ali, sempre se sentia intimidada. Astros de Hollywood sorriam e a cumprimentavam, alguns até paravam para trocar algumas palavras com ela. Era surreal, mas não surreal de um jeito bom. Surreal de um jeito estranho. Como se estivesse quebrando as regras, quebrando a ilusão. Aquelas pessoas deveriam permanecer na tela do cinema. Não deveriam estar tão perto a ponto de ela sentir o aroma de seus xampus e loções pós-barba. Era estranho. Mas, se parasse para analisar a situação — e ela vinha se esforçando ao máximo para não fazer isso — chegaria à conclusão de que era ela quem não se encaixava no cenário. Ela não deveria estar ali. 

Sacudiu a cabeça, afastando a insegurança e forçou um sorriso. Estava tudo bem. Tudo maravilhosamente bem. Aquela era sua realidade agora e seria para o resto de sua vida. O sorriso congelou em seu rosto em uma careta. O resto de sua vida. Sacudiu a cabeça mais uma vez e continuou andando. Passaria o resto de sua vida com Will Clark. Will, o cara incrível e amoroso. Inteligente e engraçado. Tão lindo por fora quanto era por dentro. 

20.8.20

Olá galerinha, aqui quem fala é a Agatha e hoje eu gostaria de compartilhar com vocês uma ideia que finalmente vamos colocar em prática aqui no blog.

Quem nos acompanha desde o início sabe que já tentamos incluir colunas de contos, crônicas ou devaneios (como vocês já devem ter visto ou verão se digitarem na barra de pesquisa) e em parte deu certo, mas em sua maioria não era como queríamos que fosse: um espaço para autores nacionais e independentes publicarem seus escritos e não só terem visibilidade como também receberem um feedback sobre sua escrita, um espaço para compartilhar e trocar ideias, um espaço para se sentir "escritor" ao ver seu nome assinado abaixo de um texto numa rede onde centenas podem ter acesso.

Quem sabe até um ponta pé inicial.

23.4.20



Tento me manter positivo a despeito das desgraças que em nós ultimamente impera. É um exercício e tanto levando em conta que os dias que se passam não nos oferecem muitas esperanças - e olha que pouco vejo telejornais - e o prognóstico é duvidoso. A falta de rotina, e por rotina me refiro a compromissos funcionais como trabalho, reuniões e escola, é uma das condições que mais descaracterizam o ser humano. A ideia de ter algo para fazer mesmo a contragosto é o que motiva alguém a acordar todos os dias às 5:00 da manhã.
18.12.17

Trago seu amor de volta sem pedir nada em troca
Autor: Ique Carvalho
Editora: Sextante
Páginas: 240
Skoob  | Goodreads | Amazon
A vida de Ique Carvalho era tranquila e parecida com a de muitos jovens de Belo Horizonte, sua cidade natal. Ele morava com os pais e os irmãos, era apaixonado pela namorada e trabalhava na agência de publicidade da qual era sócio. Suas impressões sobre o cotidiano iam para o blog The Love Code, onde podia dar vazão ao seu talento para escrever. Até que, em 2013, dois fatos fizeram tudo virar de ponta-cabeça. Na mesma semana, seu namoro teve um fim traumático e o pai recebeu o diagnóstico de uma doença degenerativa grave, que o mataria aos poucos. Sem chão e em meio a um turbilhão, foi no blog que encontrou refúgio para expressar seus sentimentos. Os textos fortes e genuínos acabaram viralizando, popularizando o site e dando a Ique milhares de fãs e seguidores. Suas palavras possuem o incrível dom de ser, ao mesmo tempo, simples e profundamente verdadeiras, traduzindo o que há de mais puro e desejável no amor. Essa mesma capacidade de causar impacto e despertar as emoções dos leitores permeia as reflexões tocantes de Trago seu amor de volta, seu aguardado segundo livro solo. Ique mais uma vez demonstra sua vocação única como cronista do amor em todas as suas expressões.
30.8.17

Ferrugem
Autor: Marcelo Moutinho
Editora: Record
Páginas: 160
O assunto de Ferrugem é a paisagem humana, os grandes dramas corriqueiros, a vida que passa. Desfilam por aqui personagens ímpares, insuspeitas, inesquecíveis, ainda que aparentemente comuns: a moça soropositiva, caixa de supermercado, que reencontra o antigo namorado; a cobradora de ônibus que dá conselhos amorosos a um passageiro; o cantor de boate que imita Roberto Carlos. O valor literário dos contos de Marcelo Moutinho não está em tramas surpreendentes ou inusitadas, mas na alta-voltagem poética que a voz do narrador consegue extrair de situações vulgares.
26.10.16

Muito Amor, Por Favor
Autores: Arthur Aguiar, Frederico Elboni, Ique Carvalho e Matheus Rocha
Editora: Sextante
Páginas: 240
Este livro reúne textos que mostram o amor do ponto de vista de quatro jovens que escrevem sobre relacionamentos legítimos e atuais, que souberam se reinventar. Sem medo de expressar seus sentimentos, deixam para trás estereótipos já obsoletos – como o controlador machista ou o piegas choroso – e falam sobre viver a dois e sobre a natureza das relações em todos os seus aspectos. Assim, cada autor reflete sobre o amor representado por um elemento: Arthur Aguiar escreve que “O amor é água”, dizendo que ele é fluido, mas por vezes gelado; ora tempestade, ora profundo. Fred Elboni explica que “O amor é ar”, mostrando a leveza de se amar sem sofrer, da brisa que envolve os apaixonados, mas que por vezes torna-se furacão. Ique Carvalho se debruça sobre quando “O amor é fogo”, que arde, aquece a alma, mas que também pode incendiar até doer. E Matheus Rocha conta que “O amor é terra”, estável, tranquilo, mas que não escapa dos terremotos da vida, que tiram tudo do lugar para que a rotina não o extermine. Um livro apaixonante, para quem ama e para quem quer amar um dia... e sempre.
24.5.16

Uma manhã como todas as outras. 

Levantei, lavei o rosto e examinei meu reflexo no espelho. Havia muito tempo que eu não parecia mais saudável - e nem era, de certo modo. Olheiras estampavam a pele abaixo dos meus olhos, me lembrando das noites mal dormidas e dos dias difíceis pelos quais eu passara. Algumas vezes, ouvi meus olhos gritarem por uma trégua, não queriam mais chorar, mas eu praticamente os obrigava, dia após dia, e aquilo era tudo o que eu tinha para aliviar a dor.

Eu continuei olhando para aquele espelho, que parecia me conhecer mais do que eu mesma. 


19.5.16


Leia ouvindo: Essa música

De repente, tudo se desconectou. Os laços continuaram. Mas um nó ficou frouxo.

Os dias já não eram azuis como ela estava acostumada, não havia o controle, sua vida passava. Um robô.

Ela se perguntava se alguém já havia se sentido assim na vida. Como um robô que faz tudo no automático. Só porque tem que fazer e vive em vão. Nem vê os dias passar.
10.4.16



Na maioria das vezes penso que tudo é uma espécie de teste, que as pessoas e a vida delas fazem parte de um experimento.
3.4.16


Passei minha vida inteira atrás de um único objetivo: me esconder. Quando as visitas chegavam em casa, minha mãe passava vergonha e eu não me arrependia nenhum momento de fazê-la sentir isso.
31.3.16


Leia ouvindo: essa música

17.3.16


Meu pai sempre me disse: A disposição é do tamanho da necessidade. E não é que é verdade? Será que você tem se esforçado pra fazer dar certo? Será que a sua disposição continua a mesma? Ou sua necessidade é outra? 

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