2.3.17

[Resenha] Meio Mundo:: Joe Abercrombie

Meio Mundo - Mar despedaçado #2
Autor: Joe Abercrombie
Editora: Arqueiro
Páginas: 368
Os tolos alardeiam o que vão fazer. Os heróis fazem.
Thorn Bathu não é uma garota comum. Mesmo tendo sido criada numa sociedade machista, ela vive para lutar e treina arduamente há anos. Porém, após uma fatalidade, ela é declarada assassina pelo mesmo mestre de armas que deveria prepará-la para as batalhas.
Para fugir à sentença de morte, Thorn se vê obrigada a participar de um esquema do ardiloso pai Yarvi, ministro de Gettland. Ao lado dela se encontra Brand, um guerreiro que odeia matar, mas encara a jornada como uma chance de sustentar a irmã e conquistar o respeito de seu povo.
A missão dos dois é cruzar meio mundo a bordo de um navio e buscar aliados contra o Rei Supremo, que pretende subjugar todo o Mar Despedaçado. É uma viagem desafiadora, em que Brand precisa provar seu valor e Thorn fará o necessário para honrar a memória do pai e se tornar uma verdadeira guerreira. 
Guiando os personagens por caminhos tortuosos em busca de amadurecimento e redenção, Joe Abercrombie mais uma vez nos maravilha com uma história grandiosa, que se sustenta sozinha por seu vigor, mas também dá continuidade à saga de Gettland e Yarvi. Finalista do prêmio Locus, Meio Mundo deixará o leitor na expectativa do desfecho desta série épica.
Em Meio Rei (resenha ''aqui''), Joe Abercrombie nos apresenta Yarvi, um garoto que após a morte do pai e do irmão se vê obrigado a assumir o trono e a se vingar dos assassinos de seu pai.
Não darei spoilers do primeiro livro da série caso aqui haja alguém que não o tenha lido.

Todo mundo que leu minha resenha de Meio Rei sabe o quanto eu amei esse livro, e eu poderia passar muito tempo falando sobre como me surpreendi positivamente com ele, mas o foco da resenha de hoje é sua continuação: Meio Mundo.

Thorn Bathu é diferente da maioria das garotas da sua idade, ela não pensa em se casar, costurar, ou ser uma "dama". Ela nasceu para seguir os caminhos do seu pai, para lutar em guerras, ser uma heroína e ter canções cantadas a seu respeito.
"Às vezes a mãe guerra toca uma garota, que é colocada no meio dos garotos no campo de treino e aprende a lutar.  Dentre as crianças menores, sempre há umas poucas, mas a cada ano elas se voltam para tarefas mais adequadas, são obrigadas a se dedicar a elas, são levadas à custa de gritos, agressões e surras, até que as plantas vergonhosas sejam desenraizadas e reste apenas a flor gloriosa da masculinidade."
Thorn sobrevive à uma realidade machista e misógina que a atrapalha todos os dias, mas isso não a impede de ser determinada e lutar pelo direito de ser vista como igual, como uma guerreira.
"É melhor ser temida do que sentir medo."
Sendo a única menina no quadrado de treino, ela tenta incessantemente ser reconhecida como uma boa lutadora e conseguir integrar o exército do rei, e isso seria fácil, já que ela é uma das melhores aprendizes de seu reino. Até que seu professor, deliberadamente, a coloca para lutar contra três dos seus melhores alunos, e por acidente, Thorn acaba matando um deles.
Ela é declarada assassina e seu breve destino seria o apedrejamento, caso Pai Yarvi não a tivesse livrado desse destino em troca da lealdade de Thorn, que promete fazer tudo o que ele quiser.

Em contrapartida, temos Brand, colega de treino de Thorn, mas com personalidade completamente distinta. Brand é calmo, sociável e busca sempre fazer o bem. Além disso, ele é esforçado e seu maior desejo (assim como Thorn) é se tornar um guerreiro e dar uma vida melhor à sua irmã, sua única família.
"Os tolos alardeiam o que vão fazer. Os heróis fazem."
Após a injustiça sofrida por Thorn no quadrado de treino, Brand decide procurar pai Yarvi e lhe contar o que realmente aconteceu. Por ter contado para Pai Yarvi a verdade, o seu treinador lhe aplica uma punição: não se tornar um guerreiro do Rei Uthil, e assim, Brand se vê totalmente sem esperança. Até que Yarvi o recruta para fazer parte de uma tripulação, onde Thorn também se encontra. Tal tripulação tem como função viajar por todo o mar despedaçado e conseguir aliados para a guerra iminente contra o Rei supremo.
A partir daí, nos vemos em uma trama cheia de situações arriscadas e improváveis.


Eu simplesmente amei esse livro, e não esperava menos dele. Thorn é determinada, está disposta a tudo para conseguir o que quer, e dá de dez a zero em muito homem (literalmente), Thorn é super "girl power" e eu me apaixonei por ela. Apesar de Brand ser completamente diferente dela, eu também gostei muito dele. Brand é sensível, altruísta e bondoso. 
Diferente de alguns livros onde esse contraste de personalidades acaba ficando forçado, em Meio Mundo, isso só torna o livro mais prazeroso. É visível a evolução dos personagens e é muito bom poder vê-los progredindo ao longo da história.

Meio Mundo tem capítulos alternados entre Brand e Thorn e Joe Abercrombie narra com maestria o ponto de vista dos dois, que muitas vezes é diferente diante da mesma situação. O autor construiu duas personalidades impecáveis, pelas quais conseguimos sentir uma grande empatia. Como em seu antecessor, o final desse livro nos surpreende e nos faz pensar em como será o próximo (que tenho certeza de que vai ser ainda melhor que os dois primeiros). Aguardo ansiosamente a continuação!


1 comentários:

  1. Oiii Ana

    Essa trilogia é uma das que tenho pendentes há tempos, sempre ouço elogios e não sie bem porquê ainda não me animei totalmente em começar. espero conseguir conferir pelo menos a primeira parte até o final desse semestre.

    Beijos

    aliceandthebooks.blogspot.com

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