5.7.17

[Resenha] Fúria Vermelha :: Pierce Brown

Fúria VermelhaRed Rising #1
Autor: Pierce Brown
Editora: Globo Livros
Páginas: 468
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Em um futuro não tão distante, o homem já colonizou Marte e vive no planeta em uma sociedade definida por castas. Darrow é um dos jovens que vivem na base dessa pirâmide social, escavando túneis subterrâneos a mando do governo, sem ver a luz do sol. Até o dia que percebe que o mundo em que vive é uma mentira, e decide desvendar o que há por trás daquele sistema opressor. Tomado pela vingança e com a ajuda de rebeldes, Darrow vai para a superfície e se infiltra para descobrir a verdade.

Fúria Vermelha, primeiro volume da trilogia Red Rising, é uma mistura inusitada de Jogos Vorazes com Game of Thrones. É uma distopia muito bem trabalhada com um universo grandioso (literalmente). Literalmente porque, na história, o Sistema Solar já é habitado pela raça humana, mas que agora vivem à base de castas.

Darrow é jovem e trabalha como minerador na superfície de Marte. Nunca viu nada a não ser pedras e paredes, além, claro, das pessoas que vivem ao seu redor, num pequeno lugar chamado Lykos. Há algumas intrigas entre os habitantes daquela área, mas intriga maior chega após uma tragédia iminente que faz com que Darrow se depare com uma nova realidade.

Depois de quase ser morto, ele é resgatado por um grupo denominado “Filhos de Ares”. Aí, então, Darrow descobre que todo o sistema solar já está sendo habitado, uma vez que sua casta, os Vermelhos, acreditavam serem os primeiros a estarem fora da Terra, aqueles que preparariam o ambiente para os que viriam depois. Traído, Darrow toma uma decisão: se infiltrar na sociedade dos Ouros, a maior e mais privilegiada casta da Pirâmide da Sociedade.  Só que para se infiltrar ele tem de passar por uma prova, uma prova onde o vitorioso sai com as mãos manchadas de sangue.

Pirâmide das Cores, sendo Ouro a superior e Vermelho a inferior

Fúria Vermelha tem muitas semelhanças com as demais distopias escritas nos últimos anos, principalmente com Jogos Vorazes. Entretanto, Pierce Brown não se contenta com um simples presidente mandando na vida da população. Ele, ao invés disso, desencadeia milhares de possibilidades para forças soberanas ao longo das páginas, lançando ao leitor inúmeros plots, o que o torna um autor completo.

A trama é profunda; narrada sob o ponto de vista de um homem, acredito que a intensidade dessa profundidade é ainda mais palpável, já que homens, como o Darrow, precisam estar sempre lutando e, consequentemente, derrubando seus inimigos. Contudo, é importante ressaltar que há momentos no livro que o autor acaba sendo um pouco machista, inferiorizando as mulheres. Só que isso é meio subjetivo, porque a história por si só já tem essa atmosfera, os personagens são de uma forma ou de outra de acordo com como foram criados.

Nesse primeiro volume não temos uma visão tão expandida de como é o mundo de Brown. Os personagens acabam passando a maior parte do tempo num determinado lugar, não revelando seu exterior. E é justamente por conta disso que o livro é tão interessante. Porque, tenta pensar: o que fazem os homens quando estão presos no mesmo local com os mesmos da sua raça? O domínio, a “chefia”, é a melhor resposta para isso.

Além disso, toda a narrativa do autor é muito fluida; ele consegue prender a atenção fornecendo ao leitor muitos detalhes de uma determinada cena. Contudo, algumas descrições de cenários são confusas, e isso faz com que nós mesmos imaginemos tudo. Os personagens são misteriosos, guardam segredos que são revelados durante a narrativa, nos surpreendendo positiva ou negativamente (acho que Brown se inspirou no Martin para isso).

Se você gosta de jogos de disputa, de pessoas manipuladoras ou de mocinhos com objetivos plausíveis, Fúria Vermelha te deixará de cabelos em pé, tendo um clímax explosivo e um final que eu não esperava.

Pierce Brown, o autor

Os direitos do romance já foram comprados para o cinema, e será adaptado pelas mãos de Marc Forster, diretor de Guerra Mundial Z. Não perca tempo, compre o livro e acompanhe o desenrolar dessa história.

(Logo mais tem resenha de Filho Dourado, segundo livro da trilogia). 

Por Saullo Brenner

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